USO DO MÉTODO PBL NO ENSINO DE ARQUITETURA DE COMPUTADORES Wagner L. A. de Oliveira 1 , Gustavo H. M. Arruda 2 , Roberto A. Bittencourt 3 1 Wagner L. A. de Oliveira, DTEC/UEFS, Av. Universitária, s/n, DTEC, 44.031-460, Feira de Santana, BA, Brasil, wlao@uol.com.br 2 Gustavo H. M. Arruda, DTEC/UEFS, Av. Universitária, s/n, DTEC, 44.031-460, Feira de Santana, BA, Brasil, gustavo.arruda@gmail.com 3 Roberto A. Bittencourt, DEXA/UEFS, Av. Universitária, s/n, DEXA, 44.031-460, Feira de Santana, BA, Brasil, robertoab.prof@gmail.com Abstract Problem-Based Learning (PBL) has been one of the most active areas in educational research. Due to its features, PBL has been used mainly in medical schools. Regarding Brazil, we could verify that the Computer Engineering undergraduate program at Feira de Santana State University (UEFS) is the first one to present a fully PBL-based curriculum. Other initiatives have been carried out at other educational institutions, but they focus on individual courses. This paper presents a brief PBL background, an overview of the structure of our undergraduate program, and describes our PBL experience at a Computer Architecture course. It is discussed how such a course has been organized in order to meet PBL requirements, the choice of the problems, learning goals, assessment ways, course coverage, strengths and weaknesses of the method. The adaptation process of tutors and students to PBL as well as proposals for improvements to the course are also discussed. Index Terms Computer Architecture, Problem-Based Learning INTRODUÇÃO A Aprendizagem Baseada em Problemas – PBL (Problem- Based Learning) é uma metodologia de ensino de aplicação recente, a qual visa o aprendizado a partir da resolução de problemas contextualizados na realidade que os estudantes, após sua formação, deverão encontrar. Para uma dada disciplina, objetiva-se que o conjunto de tais problemas seja elaborado de forma a cobrir, o máximo possível, o conteúdo programático da mesma. Organizados em pequenos grupos, sob a supervisão de um tutor, os alunos são motivados a buscar os conhecimentos necessários à resolução dos problemas. O aprendizado é centrado no aluno, o qual deixa de ser mero receptor passivo de conhecimentos, passando à atuação como principal responsável pelo seu aprendizado. Neste contexto, a metodologia PBL tem sido mais fortemente aplicada a cursos da área de medicina, nos quais um problema pode envolver temas diversos de uma dada área. Para cursos de outros ramos de conhecimento, a metodologia PBL geralmente é aplicada a disciplinas isoladas, muitas vezes em caráter experimental. Este artigo relata nossa experiência no curso de Engenharia da Computação da Universidade Estadual de Feira de Santana – UEFS (Bahia, Brasil), cuja organização é fortemente baseada na metodologia PBL. Como estudo de caso, foca-se a disciplina de Arquitetura de Computadores, objetivando-se mostrar exemplos de problemas, pontos fortes e pontos fracos da metodologia. Quanto à organização do artigo, inicialmente, uma visão geral da metodologia PBL é fornecida. Em seguida, descreve-se como esta metodologia forma a base do referido curso de graduação. Tal descrição é, então, substanciada, focando-se em nossa experiência na disciplina de Arquitetura de Computadores. Conclusões e referências encerram o artigo. MÉTODO PBL No início da década de 1970, as faculdades de medicina de McMaster (Canadá) e de Maastricht (Holanda) fizeram as primeiras experiências com o método PBL. Logo após, as faculdades de medicina de Albuquerque, Harvard e Hawaii adotaram o método, o qual passou a ser recomendado por sociedades de medicina e adotado, nas décadas seguintes, em outras escolas da área de saúde, como enfermagem, fisioterapia, odontologia e veterinária. O método atingiu novas fronteiras (em faculdades de medicina da África, Ásia e América Latina), assim como escolas de outras áreas de conhecimento – exemplos incluem a Faculdade de Direito de McMaster, a Faculdade de Economia da Universidade de Maastricht e algumas escolas de engenharia dos Estados Unidos [1]. Assim, extrapolando suas origens, o método tem mostrado ser aplicável ao ensino em diferentes ramos de conhecimento. Devido ao maior desenvolvimento do método na área de medicina, grande parte da bibliografia sobre PBL deve ser adaptada, visando à contextualização do método em outras áreas de conhecimento. Destarte, adaptando Venturelli [2], pode-se identificar, de forma geral, três grandes eixos na composição do método PBL, quais sejam: o currículo integrado, com a fusão de disciplinas científicas em eixos temáticos; o estudo baseado em problemas/projetos fundamentados na realidade, implicando na pesquisa e discussão em pequenos grupos para suas resolução e compreensão, a partir da autogerência de tais grupos na aquisição do conhecimento; e a avaliação diferenciada, com mecanismos de auto- avaliação que buscam medir a eficiência e/ou eficácia do grupo, no processo de resolução dos problemas/projetos, visando o amadurecimento da situação avaliada.