1 Fonseca E, Bastos FI. Políticas de Redução de Danos em Perspectiva: Comparando as Experiências Americana, Britânica e Brasileira. In: Acselrad G. 2ª edição. Avessos do Prazer: Drogas, AIDS e Direitos Humanos. Rio de Janeiro: Ed. FIOCRUZ, 2005. POLÍTICAS DE REDUÇÃO DE DANOS EM PERSPECTIVA: COMPARANDO AS EXPERIÊNCIAS AMERICANA, BRITÂNICA E BRASILEIRA Elize Massard da Fonseca & Francisco Inácio Bastos O uso de drogas injetáveis acarreta, com freqüência, danos ao próprio usuário de drogas, à comunidade em que ele está inserido e, em dadas circunstâncias, à sociedade de uma forma geral. Esses danos envolvem o risco de overdose; de transmissão do HIV (vírus da Aids) e dos vírus das hepatites, no compartilhamento de agulhas e seringas potencialmente contaminadas; danos causados pelo descarte inapropriado de seringas usadas em locais públicos; além de danos e problemas estreitamente vinculados à própria política de criminalização de determinadas substâncias psicoativas, como os crimes relacionados ao tráfico e à aquisição de drogas ilícitas. As ações enfeixadas sob a denominação ‘redução de danos’ (RD) representam um marco da atuação da saúde pública contemporânea, e correspondem a um conjunto de estratégias de saúde pública que têm por objetivo reduzir e/ou prevenir as conseqüências negativas associadas ao uso de drogas. Essa abordagem está direcionada para aqueles usuários que não querem ou não conseguem, em um determinado momento e circunstância, interromper o seu consumo de drogas, a despeito de danos na esfera pessoal, familiar e/ou social. A RD pode ser entendida, grosso modo, como uma alternativa às abordagens que têm como meta exclusiva a abstinência do uso de drogas. Partindo do princípio de que as drogas sempre estarão presentes na sociedade, oscilando seu caráter lícito ou ilícito em função das injunções de cada contexto e momento histórico, torna-se necessário adotar uma conduta o mais possível equânime e uma resposta pragmática para essa questão. É melhor reduzir os danos, ao invés de tentar, invariavelmente, eliminá-los por completo, o que é possível quando se trata de cada indivíduo singular, mas não de um ponto de vista coletivo. A ênfase não deve recair sobre