173 RIL Brasília a. 53 n. 209 jan./mar. 2016 p. 173-194 O trabalho prisional no Presídio Central de Porto Alegre Recebido em 6/4/15 Aprovado em 5/5/15 DANI RUDNICKI JANE DIANE DE RAMOS NUNES GONÇALVES Resumo: O trabalho prisional no Presídio Central de Porto Alegre (PCPA) tem características próprias. Para conhecê-las, foi realizado es- tudo de campo em 2014 (entrevistas com presos trabalhadores e não trabalhadores, com um sargento da Brigada Militar e com uma assis- tente social da Superintendência dos Serviços Penitenciários). Partimos com as seguintes questões: como é organizado e como funciona o traba- lho prisional nessa casa? Quem são os personagens envolvidos no ins- tituto do trabalho prisional e quais suas perspectivas em relação a essa atividade? Quais as consequências da superlotação para o exercício do dever/direito ao trabalho? A atuação de técnicos e agentes penitenciá- rios influencia nesse direito/dever? Como conclusões, podemos apontar que, no PCPA, há pouca atividade laboral; e, quando ela existe, está lon- ge de cumprir as determinações normativas. O trabalho serve apenas para auxiliar na administração da Casa. Palavras-chave: Trabalho. Prisão. Presídio Central de Porto Alegre. Lei de Execução Penal. 1. Introdução No presente artigo, analisamos o trabalho prisional no Presídio Central de Porto Alegre (PCPA), buscando respostas para as seguintes questões: como é organizado e como funciona o trabalho prisional nes- sa casa? Quem são os personagens envolvidos no instituto do trabalho prisional e quais suas perspectivas em relação a essa atividade? Quais as consequências da superlotação para o exercício do dever/direito ao tra- balho? A atuação de técnicos e agentes penitenciários influencia nesse direito/dever?