O VAGÃO EXCLUSIVO PARA MULHERES NO SISTEMA METRO- FERROVIÁRIO: A VISÃO DA USUÁRIA Eunice Horácio de Souza de Barros Teixeira Paula Leopoldino de Barros Ronaldo Balassiano Programa de Pós-Graduação em Engenharia de Transportes – COPPE/UFRJ RESUMO Entender as expectativas das mulheres e suas necessidades é importante para prover um serviço de transporte satisfatório e analisar as opiniões das usuárias do sistema é uma possível estratégia para assegurar uma operação com qualidade. A criação de uma lei estadual que obriga as concessionárias dos sistemas de metrô e trem que atendem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro a disponibilizarem um vagão exclusivo para mulheres, levanta a questão de saber se segregá-las seria a melhor maneira de atender às suas necessidades. O objetivo deste trabalho é identificar a percepção das usuárias do vagão exclusivo do sistema metro-ferroviário, através de uma pesquisa de opinião realizada em 2006. Os resultados da análise apontam os motivos pelas quais elas optam por utilizá-los e sua visão crítica sobre tal medida, que deverá ser considerada para o atendimento adequado de suas necessidades específicas. ABSTRACT Understanding women’s needs and expectations is important in order to provide a satisfactory transport service, and analyzing female users’ opinions is a possible strategy to assure a quality service. The recent creation of a state law which obliges subway and train operators in the Rio de Janeiro Metropolitan area to have an exclusive coach for women raises the question of whether segregating female users is the best way to answer their needs. The aim of this paper is to identify the perception female users have of the exclusive coach in the railroad system through an opinion survey performed in 2006.The results obtained from the analysis show the reasons why they choose to use the coach and their views on the subject, which should be considered when attending their specific needs. 1. INTRODUÇÃO Em pleno século XXI, com o enorme avanço tecnológico alcançado, onde alta tecnologia, biotecnologia e inteligência artificial já fazem parte do cotidiano de estudos e pesquisas, tendo atingido níveis cada vez maiores de detalhamento e precisão, volta-se a pensar e discutir uma das questões mais primitivas do homem: o gênero. Recentemente, a cidade do Rio de Janeiro adotou a utilização de vagões exclusivos para mulheres no sistema metro-ferroviário, como já acontece em algumas cidades do mundo. Há diferenças suficientemente significativas entre as experiências e demanda das mulheres nos transportes em oposição aos homens; diferenças no acesso ao transporte particular, nos modelos de realizar viagens regulares de mesma distância para e do trabalho, nos empregos, nas responsabilidades dos cuidados com as crianças e idosos, nas atitudes básicas para com o transporte público e particular e estes já são fatos que justifiquem o tratamento das mulheres separadamente (DfT, 2000). Segundo Pérez (2001), não se pode ignorar as responsabilidades domésticas que recaem sobre a população feminina representando não apenas uma sobrecarga excessiva, mas também um obstáculo às suas possibilidades de participação integral e em igualdade de condições no mercado de trabalho. Os planejadores urbanos devem ter o conhecimento da diversidade do universo feminino. Beall (2003) afirma que as parcerias entre os urbanistas, projetistas e tomadores de decisão devem se direcionar a diversidade e a trivialidade de experiências das mulheres, pois elas têm prioridades diferenciadas em termos de serviços e infra-estrutura. Estas diferenças no uso dos modos de transporte e no padrão de viagens estão relacionadas não somente à diferença de acesso, mas em outras relações de gênero como as fontes de recursos econômicos, sociais e temporais (Turner e Grieco, 2000).