Revista Brasileira de Geociências Fabiana Gallina et al. 39(1): 160-168, março de 2009 Arquivo digital disponível on-line no site www.sbgeo.org.br 160 Fatores controladores da variação de MgO nos mármores da mina Rio Bonito (PR) Fabiana Gallina 1 , José Manoel dos Reis Neto 2 & Eduardo Salamuni 2 Resumo A mina Rio Bonito da Companhia de Cimentos Itambé é um depósito de mármore calcítico, usado na fabricação de cimento. Na mina existe uma faixa de mármore dolomítico em meio ao calcítico que gera grande quantidade de material estéril. O objetivo do presente estudo é determinar o fator controlador das variações de MgO no depósito de mármore calcítico. Os métodos utilizados foram análises geoquímicas de rocha total pelo método de luorescência de raios X, análises mineralógicas por meio de difração de raios X, petrograia, análise estrutural e mapeamento cartográico. O enfoque integrado dos diversos métodos mostrou resultados satisfatórios, que permitiu individualizar as frentes de lavra de mármore dolomítico e identiicar os fatores controladores da sua variação. Os mármores calcíticos possuem granulação ina e homogênea, enquanto que os dolomíticos têm gra- nulação média-grossa, heterogênea, composta de matriz e clastos, constituindo material brechado. Os aumentos dos teores de MgO ocorreram por percolação de luidos em zonas de fraqueza estrutural, resultando em mármores dolomíticos brechados. O contato entre os mármores calcíticos e dolomíticos é abrupto, controlado por fraturas subverticalizadas e oblíquas à foliação principal. Aplicando-se o modelo de Riedel para a área estudada, foi ve- riicado que as direções dos planos de contato entre os mármores calcíticos e dolomíticos são coincidentes com as fraturas de abertura, ou de extensão. Estas zonas de abertura, por onde houve a percolação dos luidos, estão geneticamente relacionadas com a estrutura regional mais signiicativa, a falha transcorrente do Cerne. Palavras-chave: mármores calcíticos, variação de MgO, dolomitização. Abstract Controlling factors of the variation de MgO in marble of the mine Rio Bonito (PR). The Rio Bonito mine of the Portland Itambé Company is a calcitic marble deposit used for the cement industry. There is a dolomitic front in the calcitic marble body, which generate huge amount of barren material. The main goal of the present research is to determine the key factors, responsible for the content variation of CaO and MgO in the marble deposit.The methods applied are: whole rock geochemical analysis by x-ray luores- cence, mineralogical analysis by x-ray diffraction, petrography and structural analysis. The calcitic marble is composed essentially of calcite, with ine and homogeneous grain size. The dolomitic marble is essentially composed of dolomite, medium to course, heterogeneous grain size. Breccias, with angular clasts in a ine ma- trix, are common in the dolomitic marble. The dolomitic marble has higher porosity because of the secondary dolomitisation. This process occurs by luid percolation in structural weakness zones, leading to the breccia formation in the dolomitic marble. In spite of the dolomitic front has been generated by dolomitisation process, the structural is the main control. The contact between calcitic and dolomitic front is abrupt, marked by frac- tures. The fractures are sub-vertical, oblique to the main foliation. Applying Riedel model to the studied area, it is possible to observe that the strike of the contact plane of dolomitic and calcitic front matches up with the open fractures, or extensional faults. The open zones, responsible for the luid percolation, are genetic related to the most important regional structure, the Cerne strike-slip fault. Keywords: calcític marbles, variation of MgO, dolomitization. 1 - UFPR, Departamento de Geologia, Programa de Pós-Graduação em Geologia, Curitiba (PR), Brasil. E-mail: bi_gallina@hotmail.com 2 - UFPR, Departamento de Geologia, Curitiba (PR), Brasil. E-mails: jmreis@ufpr.br, salamuni@mineropar.pr.gov.br amento de semidetalhe da área da mina Rio Bonito, análise das estruturas deformadoras predominantes e análises químicas, petrográicas e mineralógicas. Com esta base de informações e a concepção da deformação superimposta é possível fornecer subsídios para a com- preensão dos fatores condicionantes de enriquecimento dos teores de MgO. A hipótese levantada para o trabalho é que o már- more com teor elevado de MgO tenha sofrido processo de dolomitização e seu fator controlador é estrutural. Porém é necessário identiicar se a dolomitização tem origem pri- IntRodução A Companhia de Cimentos Itambé tem apresentado a necessidade do conhecimento no que diz respeito à variação dos teores de MgO nos mármo- res da mina Rio Bonito. A localização aproximada das frentes de lavra com alto teor de MgO já era conhecida, porém não era determinada a direção nem seus fatores condicionantes. A presença de mármores com composi- ção dolomítica gera quantidade signiicativa de rejeito e custos excessivos para seu desmonte e remoção até o local onde é armazenado como material estéril. A pesquisa se desenvolveu a partir do mape-