1 A Abordagem dos Corredores de Biodiversidade para a Conservação dos Recursos Naturais Ricardo B. Machado 1 Mário Barroso Ramos Neto 1 Reinaldo Lourival 1 Mônica Harris 1 A conservação da biodiversidade representa hoje um dos maiores desafios da atualidade, especialmente quando consideramos a crescente demanda da sociedade humana por recursos naturais e espaço físico. A estratégia básica que tem sido adotada por diversos países, incluindo o Brasil, é calcada na criação e manutenção de unidades de conservação. Tais áreas são definidas como um “espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as áreas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção” (Lei do SNUC, artigo 2 o ). Embora o número de unidades de conservação e demais áreas protegidas tenha crescido significativamente nos últimos 10 anos, chegando a representar mais de 10% da superfície terrestre (IUCN 2003), a proteção efetiva da biodiversidade e dos processos associados (especiação, competição, predação, dispersão, entre outros), está longe de ser alcançada. Parte dessa situação é devida à incapacidade das unidades de conservação de manter populações viáveis de animais e plantas dentro de seus limites. É possível que, em alguns casos, grandes áreas consigam assegurar a sobrevivência de parte da biodiversidade, mas por maior que seja uma unidade de conservação, os processos ecológicos que mantêm a dinâmica da vida na Terra dificilmente serão preservados unicamente pelas unidades de conservação. Um importante estudo desenvolvido por Sepkoski (1992) indica que a biodiversidade se comporta como um sistema dinâmico, que pode sofrer eventuais perturbações (processos de extinção) mas, caso seja propiciado o tempo necessário, esse sistema poderá voltar à normalidade, recuperando os níveis anteriores (e eventualmente até superiores) da diversidade de formas existente. Entretanto, o tempo necessário para que esse sistema retorno à condição anterior poder ser extremamente longo, superando várias centenas de milhares de anos. Durante os últimos 600 milhões de anos, na análise de Sepkoski (1992), ocorreram vários eventos de extinção em massa. Um dos mais críticos períodos ocorreu no final do Permiano (cerca de 251 milhões a.p.), quando estima-se que tenha ocorrido uma perda de 95% das espécies viventes do planeta (Benton & Twitchett, 2003). É possível que a interferência humana na biosfera já possa ser comparada com um desses eventos de extinção em massa que foram observados no passado. Com o 1 Instituto Conservation International do Brasil. SAUS quadra 3, lote 2, bloco C, Edifício Business Point, sala 715-722. Brasília, DF. Email: r.machado@conservation.org.br