SARAU ITINERANTE: PRÁTICAS COLETIVAS DE ECO-LEITURAS Irene Zanette de Castañeda 1 ; Luzia Sigoli Fernandes Costa 2 ; Sidney Barbosa 3 ; Zaira Zafalon 4 ; Luciana Gracioso 5 . RESUMO Pressupõe-se que a conquista da cidadania é potencializada pela capacidade crítica do cidadão que se viabiliza pela sua competência leitora, cujo aprimoramento pode se dar por meio do exercício da leitura. O objetivo é resgatar a prática da leitura coletiva no domos, a semelhança dos saraus literários, com o intuito de desenvolver competências de leitura, favorecer o senso crítico em ações cotidianas, que envolvam questões ambientais. O desenvolvimento dar-se-á pelo emprego de metodologias que permitirão operacionalizar os saraus por meio da leitura de obras ficcionais que contemplam assuntos de meio ambiente. Espera-se, ao final da atividade ter conseguido, pela leitura coletiva, sensibilizar a comunidade sobre a importância das questões ambientais e da mudança de hábitos que repercutem em diferentes aspectos da vida cotidiana do ser humano, cidadão e profissional. Espera-se ainda, estimular o intercâmbio entre conhecimentos científicos e aqueles acumulados pelas comunidades e o possível surgimento de indicadores que poderão subsidiar políticas públicas de leitura. Palavras-chave: Leitura; Sarau itinerante; Ecologia. Introdução Um panorama da leitura no Brasil pode ser visualizado pelos preocupantes números apresentados por uma pesquisa, de iniciativa do Instituto Pró Livro (IPL), que resultou na publicação, na segunda edição de “Retratos da leitura no Brasil1”, em 2008, ilustrando bem o comportamento leitor no país. Embora a comparação entre os resultados de pesquisa publicados em 2002 com os publicados em 2008 indique que houve, nos últimos anos, um aumento nos índices de leitura em geral, mas estes ainda permanecem abaixo do desejável. Aspectos peculiares como a constatação de que grande parcela da população brasileira desconhece, ou conhece mal, o material de leitura, ou seja; é algo que merece a atenção dos educadores, principalmente, quando associado ao fato de que 59% dos não leitores nunca viram leitores em casa e 85% dos não leitores nunca foram presenteados com livros. Diante desses dados, procuramos, por meio de um caráter de inovação, a descontração, a satisfação e a valorização social da leitura, por meio retomar o papel da família “como primeira e mais importante definidora do valor da leitura” (RETRATOS, 2008, p. 14). Embora a escola exerça um importante papel no tocante a leitura, muitos alunos chegam às séries finais do Ensino Fundamental sem saber ler e sem saber interpretar um texto. Essa situação é grave se considerarmos que a conquista da cidadania perpassa pela capacidade crítica, advinda da competência leitora e do aprimoramento das práticas de leitura. No Brasil, além do problema de acesso ao livro, por exemplo, há também a falta de hábito de leitura expresso pelo número de livros lidos fora da escola que é de 1,3 livros por habitante/ano. Esse cenário indica que além do importante papel que exerce a escola, no desenvolvimento da leitura, há a necessidade de fomentar sua prática afora formando leitores em outros ambientes e pela vida.