R. da Educação Física/UEM Maringá,v. 13, n. 2 p. 97-104, 2. sem. 2002 DA PRODUÇÃO ESTÉTICA À (RE)CONSTRUÇÃO URBANA: TATUAGENS DO HIP-HOP 1 FROM THE AESTHETIC PRODUCTION TO THE URBAN RECONSTRUCTION OF THE HIP – HOP TATTOOS Daltro Cardoso Rotta * , Carlos Diogo Niemeyer ** , Eliane Ribeiro Pardo *** , Luiz Carlos Rigo *** , Tatiana Teixeira Silveira **** RESUMO Este artigo tenta balizar algumas práticas corporais presentes no movimento Hip-Hop, que constitui uma forma de ressignificação da ordem imposta em estéticas híbridas. O movimento é visto através do prisma do sujeito, da comunicação e do consumo, campos que constituem uma plataforma teórica necessária à análise do tema. Para tanto, utilizamos como referencial os estudos culturais do cotidiano realizados por Certeau (1994), a análise da crise identitária do sujeito pós- moderno feita por Hall (2000) e a Escola Britânica de Sociologia, além da leitura de Canevacci (1993) sobre os elementos comunicativos que se disseminam na interioridade urbana. Palavras-chave: Hip-Hop. Hibridização. Cultura urbana. 1 Pesquisa financiada pela FAPERGS e apresentada em eventos científicos ( Congresso Brasileiro de Ciências do Esporte, Simpósio Nacional de Educação Física, Congresso de Iniciação Científica, Encontro Regional de História Oral, Seminário de Extensão Universitária entre outros). * Acadêmico ESEF/UFPel e bolsista UFPel ** Acadêmico ESEF/UFPel. *** Prof(a). Dr(a). ESEF/UFPel **** Acadêmica ESEF/UFPel e bolsista FAPERGS. INTRODUÇÃO Tendo o espaço urbano como pano de fundo, o presente trabalho pretende balizar algumas práticas que emergem na cidade, sob a ótica do sujeito, da comunicação e do consumo. O estudo é parte de uma pesquisa maior, desenvolvida na cidade de Pelotas (RS), e visa, por um lado, a exumar algumas práticas corporais de rua e, por outro, a oferecer novas formas de análise e entendimento do espaço urbano em um contexto pós-moderno. Além disso, levanta algumas hipóteses sobre as formas comunicativas que se disseminam a partir da interioridade urbana e as constantes relações de força existentes entre a ordem social imposta e a parcela consumidora da sociedade. Nesse complexo campo prático-discursivo da cidade estão imersas as estéticas do movimento Hip-Hop, foco empírico da pesquisa, as quais jogam, se esquivam e ressignificam as práticas sociais a partir de inventividades e astúcias — táticas do fraco contra as coerções da indústria cultural. No exercício de análise e interpretação, tendo em vista o pensamento a ser desenvolvido aqui, utilizamos o referencial de alguns autores que ajudam a compor três eixos teóricos primordiais: 1º — os estudos culturais do cotidiano, em especial a leitura de Certeau (1994) sobre as práticas astuciosas do homem ordinário em contra-ordem à alegoria fantasmagórica do consumo; a desconstrução do sujeito na modernidade tardia e sua conseqüente crise identitária em um contexto cultural, apresentada por Hall (2000) e a Escola Britânica; 3º — a comunicação urbana como um agente disseminador das representações e fragmentador do entendimento de cultura, analisada por Canevacci (1993)