Sau. & Transf. Soc., ISSN 2178-7085, Florianópolis, v.2, n.1, p.96-107, 2011. 96 Artigos Originais A iniciação da aprendizagem na assistência fisioterápica à mulher com incontinência urinária: dificuldades apresentadas pelos acadêmicos e propostas de superação Initiating learning in physical therapy care for women with urinary incontinence: difficulties presented by academia and proposals to overcome Cilene Volkmer 1 Marisa Monticelli 2 Kenya Schmidt Reibnitz 3 Odaléa Maria Brüggemann 4 Fabiana Flores Sperandio 5 RESUMO - O entendimento do outro como um ser integral, humano, com aspirações, sentimentos e desejos e o exercício profissional ancorado Pesquisa qualitativa, convergente-assistencial, objetivando compreender as dificuldades apresentadas pelos acadêmicos de fisioterapia na iniciação da aprendizagem para assistir a mulher com incontinência urinária e construir estratégias conjuntas para superação destas dificuldades, sob suporte teórico-metodológico da Pedagogia Libertadora. Os participantes foram 17 acadêmicos, da Disciplina Fisioterapia Uroginecológica, no semestre 2009.1. Das observações participantes e oficinas emergiram dados, resultando em quatro categorias: dificuldades em lidar com a própria sexualidade; constrangimentos em compartilhar a intimidade com colegas; dificuldades quanto à interação com as mulheres e à organização da Disciplina Fisioterapia Uroginecológica. O estudo permite compreender que, apesar destas dificuldades enfatizadas pelos acadêmicos, o diálogo e a criticidade mostraram-se essenciais na construção coletiva das propostas: abordagem precoce do tema sexualidade, abertura para dialogicidade nas disciplinas, vivências em grupo e inserção da realidade nas atividades curriculares da fisioterapia uroginecológica, possibilitando transformar o processo de iniciação da aprendizagem da assistência fisioterápica à mulher com incontinência urinária. Palavras-chave: Ensino superior. Fisioterapia. Aprendizagem. Incontinência urinária. Saúde da mulher. ABSTRACT - This qualitative, convergent-care study seeks to comprehend the difficulties presented by physical therapy academics initiating learning towards caring for women with urinary incontinence and to construct strategies to overcoming said difficulties, with theoretical- methodological support from Liberation Pedagogy. Participants were 17 students in the class Urogynecological Physical Therapy in 2009.1. From participaŶts oďseƌǀatioŶs aŶd ǁoƌkshops, data eŵeƌged aŶd ƌesulted iŶ fouƌ Đategoƌies: diffiĐulties iŶ dealiŶg ǁith oŶes sedžuality; embarrassment sharing intimacy with colleagues; in interacting with women with incontinence; and to organizing the class, Urogynecological Physical Therapy. This study permits us to understand that even with such difficulties, dialogue and critical perspectives show themselves to be essential in collectively constructing proposals: premature approaches to sexuality; openness to dialogue in disciplines; group living experiences; and insertion in day-to-day realities of curricular activities of urogynecological physical therapy, making it possible to transform the initiation to learning process for this physical care. Keywords: Higheƌ eduĐatioŶ. PhLJsiĐal theƌapLJ. LeaƌŶiŶg. UƌiŶaƌLJ iŶĐoŶtiŶeŶĐe. WoŵeŶs health. 1. INTRODUÇÃO Na fisioterapia, a área relacionada com a assistência à mulher engloba abordagem nas situações de Incontinência Urinária (IU), sendo que o futuro profissional deve aprender a realizar o exame ginecológico fisioterápico durante a graduação. Portanto, no currículo de qualquer curso de formação em fisioterapia, que almeje a formação de profissionais generalistas, a complexidade da situação que abrange esta assistência e a sutileza necessária para conduzi-la de maneira satisfatória e adequada são fatores determinantes para o desempenho futuro. Saúde & Transformação Social Health & Social Change Autor correspondente Kenya Schmidt Reibnitz Centro de Ciências da Saúde Universidade Federal de Santa Catarina Campus Universitário - Trindade Florianopolis (SC) – CEP: 88040-900 Fone: (48) 3721.9388 E-mail: kenyasrei@gmail.com Artigo encaminhado 07/06/2011 Aceito para publicação em 10/09/2011 1 Fisioterapeuta, Mestre em Enfermagem, Universidade Federal de Santa Catarina. 2 Professora Associada, Universidade Federal de Santa Catarina. 3 Diretora, Centro de Ciências da Saúde, Universidade Federal de Santa Catarina. 4 Professora Adjunta, Universidade Federal de Santa Catarina. 5 Professora Adjunta, Universidade do Estado de Santa Catarina.