Departamento de Geografia - Universidade Estadual de Maringá Volume 3 Número 3 Jul/Ago/Set 1999 ISSN 1415-0646 TÍTULO ÍNDIOS, JESUÍTAS, BANDEIRANTES E ESPANHÓIS NO GUAIRÁ NOS SÉCULOS XVI E XVII AUTOR Francisco Silva Noelli Lúcio Tadeu Mota ATIVIDADE Professor do Departamento de Fundamentos da Educação - UEM - Professor do Departamento de História - UEM Resumo Este artigo analisa o papel dos índios, jesuítas, bandeirantes e espanhóis no Guairá, durante os séculos XVI e XVII, isto através da discussão das expedições que percorreram a região e das diferentes posições que assumiram esses personagens. Assinalando que não é possível reduzir essas relações a simples perspectivas dicotômicas. Palavras-chave: Índios, jesuítas, Guairá. Abstract A princípio tudo representava um panorama selvático. O seio da terra virginal, recoberto de florestas seculares, abrigava tesouros inestimável de fecundação e fertilidade prontos para fornecerem colheitas dadivosas (.... ) Havia, de primeiro, a terra protegida pela floresta imensa. E lentamente a floresta, a floresta tão exuberante e impenetrável cedia lugar àqueles homens intrépidos e valentes. Frases como essas, de diferentes autores, são comuns nos escritos, oficiais ou não, sobre o norte e outras regiões do Paraná reocupados pela sociedade nacional e paranaense nos séculos XIX e XX Construiu-se a ideologia de que esses territórios indígenas estavam vazios, desabitados e prontos a serem ocupados. Essa construção ocorreu dentro dos marcos da expansão capitalista que incorporou essas novas áreas ao seu sistema de produção. Os agentes dessa construção são muitos: desde a história oficial das companhias colonizadoras; os discursos governamentais; os escritos que fazem a apologia da colonização; os geógrafos que escreveram sobre a ocupação nas décadas de 30 a 50 do século XX; a historiografia paranaense produzida nas universidades e, por fim, os livros didáticos que, se utilizando dessas fontes, repetem para milhares de estudantes do Estado a idéia de que as terras indígenas do terceiro planalto do Paraná constituíam um imenso "vazio demográfico" pronto a ser ocupado pelos pioneiros. Com isso retira-se, elimina-se