Revista Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 42, n. 3, jul./set., 2006 Plantas utilizadas na medicina popular brasileira com potencial atividade antifúngica Raquel Fenner 1 , Andresa Heemann Betti 1 , Lilian Auler Mentz 2 , Stela Maris Kuze Rates 1 1 Faculdade de Farmácia, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2 Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul Neste trabalho foi realizado um levantamento bibliográfico etnobotânico sobre plantas utilizadas pela população brasileira no tratamento de sinais e sintomas relacionados às infecções fúngicas. Foram citadas 409 espécies, distribuídas em 98 famílias, com maior concentração em Fabaceae e Asteraceae. Para as dez espécies mais citadas, foi realizada uma busca relativa a estudos de atividade antifúngica na base de dados MEDLINE-PubMed. Somente foram encontrados estudos para Phytolacca americana L., Rosmarinus officinalis L., Mirabilis jalapa L., Schinus molle L. Entre as dez espécies mais utilizadas, seis correspondem a espécies nativas: Anacardium occidentale L., Cecropia peltata L., Schinus molle L. , Schinus terebinthinfolius Raddi, Stryphnodendron adstringens (Mart.) Coville e Tabebuia heptaphylla (Vell.) Toledo. INTRODUÇÃO Ao longo dos últimos anos, a ocorrência de infec- ções fúngicas humanas vem apresentando um aumento expressivo, sendo as dermatomicoses as principais infec- ções responsáveis por esse aumento. Vários fatores estão relacionados ao crescimento dessas infecções fúngicas, entre eles: o melhor diagnóstico laboratorial e clínico, o aumento da sobrevida de pacientes com doenças imunossupressoras e o emprego de medicamentos imunossupressores, utilizados às vezes de forma abusiva, permitindo a instalação de microorganismos convencio- nalmente saprófitos (Sidrim et al., 1999). Os fungos responsáveis por essas infecções são fun- gos patógenos ( Epidermophyton , Microsporum , Trichophyton, Paracoccidioides, Histoplasma) ou fungos patógenos oportunistas (Candida albicans, Cryptococcus neoformans). O tratamento das micoses humanas não é sempre efetivo, pois os fármacos antifúngicos disponíveis produzem recorrência ou causam resistência, além de apre- sentarem importante toxicidade. Por esta razão, há uma busca contínua de novos fármacos antifúngicos mais poten- tes, mas, sobretudo, mais seguros que os existentes. Além das infecções em humanos, os animais também podem ser atacados esporadicamente por fungos muito difíceis de se- rem combatidos. Além disso, as infecções fúngicas em plantas (espécies de Rhizoctonia, Phytophtora, Sclerotinia, Fusarium, Phomopsis, Colletotrichum, Diaphorte, Macrophomina, Cercospora) representam perdas incalcu- láveis para a produção agrícola (Zacchino, 2001). Neste contexto, embora a maioria dos antifúngicos existentes no mercado seja de origem sintética, o estudo de produtos naturais voltou a receber a atenção dos cientis- tas (Yunes, Filho, 2001). Entre as principais ferramentas *Correspondência: S. M. K. Rates Faculdade de Farmácia – UFRGS, Laboratório de Psicofarmacologia Av. Ipiranga 2752, 90610-000 - Porto Alegre, RS, Brasil E-mail: ratessmk@farmacia.ufrgs.br Unitermos  Plantas medicinais  Atividade antifúngica  Uso tradicional