Utopia burguesa ou revolução urbana? Transformações da organização territorial e novas formas urbanas em áreas peri-metropolitanas do Rio de Janeiro Rainer Randolph 1 1. Tecnologia de informação e comunicação e reorganização territorial Nosso interesse pela reorganização territorial de áreas próximas à metrópole do Rio de Janeiro surgiu a partir de uma série de estudos sobre o (possível) avanço - no seu sentido mais social, em termos da ampliação de sua apropriação, do que propriamente dito técnico - dos novos meios de informação e comunicação (informática, telemática e computação). Perguntamo-nos, inicialmente, se a formação desse “meio técnico-científico- comunicacional” (em alusão a uma noção cunhada por M. Santos 1996) enquanto base de um “espaço cibernético” iria levar ao “fim” das cidades ou atribuir a elas um “novo protagonismo”. Pois, novas formas de mobilidade (virtual) das pessoas poderiam alterar a organização do espaço urbano na medida em que possibilitariam a redução das costumeiras movimentações diárias, regulares (“commuting”) e/ou a sua substituição na base de novos arranjos entre as divisões funcionais dos lugares da cidade industrial (separação entre lugares de moradia, trabalho, consumo, lazer etc.), ao menos para uma parte da sua população (Randolph 2004). Ou seja, levando essa problemática para o espaço do Rio de Janeiro, o que poderia estar em jogo, seria a atual forma de urbanização no interior da própria metrópole, dentro da sua Região Metropolitana e, provavelmente, num território mais amplo que incorporaria ainda municípios localizados além dessa fronteira metropolitana – numa área que se pode chamar de peri-metropolitana. De fato, nota-se hoje um padrão espacial distinto de crescimento da população urbana do que aquele ocorrido num período inicial da urbanização brasileira (Santos 1993) quando apresentou uma forma concentrada 1 Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Laboratório LabORE: randolph@superig.com.br