Interação Psicol., 14(2), 275-277 275 RESENHA O que foi Selecionado da FAP (Psicoterapia Analítica Funcional) Durante Vinte Anos de Prática What was Selected from FAP (Functional Analytic Psychotherapy) During Twenty Years of Practice Francielly Peron Guilherme Previdi Olandoski Maria Rita Drula do Nascimento Patrícia Hobold Meurer Rosana Angst Sulliane Teixeira Freitas Jocelaine Martins da Silveira Universidade Federal do Paraná Tsai, M., Kohlenberg, R. J., Kanter, J. W., Kohlenberg, B., Follette, W. C., & Callaghan, G. M. (2009). A guide to Functional Analytic Psychotherapy: Awareness, courage, love, and behaviorism. New York: Springer. Os autores escreveram o livro visando instrumenta- lizar terapeutas analítico-comportamentais e de outras orientações teóricas na aplicação da Psicoterapia Ana- lítica Funcional (FAP), conscientes de seu impacto e disseminação pelo mundo, ao longo de aproximada- mente duas décadas. Os capítulos, escritos em coauto- ria com quatorze colaboradores, introduzem a FAP, seus fundamentos conceituais e formas de manejo, destacando o papel do terapeuta. O livro instrui tera- peutas para que desenvolvam em si mesmos, e em seus clientes, consciência, coragem e amor. No capítulo um, são introduzidos conceitos fun- damentais para a FAP, como: comportamento, função versus topografia e funções de estímulo presentes no contexto terapêutico. Os autores se abstêm, nesse pon- to, de comentar as funções punidoras possíveis no contexto da sessão, descrevendo funções reforçadoras, discriminativas e eliciadoras próprias da interação terapeuta-cliente. O foco no aqui-agora é proposto como um requisito para a aplicação da FAP. O prima- do do reforço natural sobre o arbitrado é apresentado, assim como as instâncias de comportamentos clinica- mente relevantes (CRB). O capítulo dois apresenta dados de pesquisa sobre a FAP, que é uma estratégia fundamentada em princí- pios comportamentais derivados teórica e empirica- mente de décadas de experimentação em laboratório, embora essa estratégia, em si mesma, ainda requeira avaliação empírica controlada. Os autores apoiaram-se em dados consolidados na literatura sobre a relação terapêutica, localizando no reforço natural, próprio da interação terapeuta-cliente, o potencial gerador dos assim chamados mecanismos de mudança clínica. O capítulo três trata da avaliação e formulação de caso, esclarecendo que, ao interagir com o cliente, os comportamentos clinicamente relevantes começam a ser identificados, mediante o relato de eventos fora da sessão e observação direta do comportamento na ses- são. Desta forma, a avaliação e formulação de caso ocorrem de maneira funcional e idiográfica. O Functio- nal Idiographic Assessment Template (FIAT) é reco- mendado para apoiar a formulação do caso na FAP. No quarto capítulo, os autores descrevem as cinco regras para a implementação da FAP. Vale destacar a primeira regra, que é considerada o coração da FAP e que recomenda a observação de CRBs. O terapeuta pode melhorar sua habilidade de observar CRBs com o uso de questionários, como o FIAT; com a identifi- cação do significado nas verbalizações do cliente e/ou com a observação de suas próprias emoções, sendo, portanto, obrigado a haver-se com suas próprias defi- ciências e a promover mudanças em si mesmo, quan- do necessário.