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Temas nesta Revista
A Segurança do doente para além do erro médico
ou do erro clínico
O erro clínico, os efeitos adversos terapêuticos
e a segurança dos doentes: uma análise baseada
na evidência cientíソca
Segurança do doente: da teoria à prática clínica
Erros e acidentes no bloco operatório: revisão
do estado da arte
Infecções associadas aos cuidados de saúde
e segurança do doente
Erro medicamentoso em cuidados de saúde primários
e secundários: dimensão, causas e estratégias
de prevenção
Comunicação em saúde e a segurança do doente:
problemas e desaソos
Ergonomia hospitalar e segurança do doente:
mais convergências que divergências
A magnitude ソnanceira dos eventos adversos
em hospitais no Brasil
Perspectivas do Direito da Saúde em Segurança
do Doente com base na experiência norte-americana
Investigação e inovação em segurança do doente
saúde
pública
Revista
portuguesa de
publicação semestral
Volume temático
Número 10 2010
Rev Port Saúde Pública. 2010;Vol Temat(10):74-80
Artigo Original
A magnitude financeira dos eventos adversos em hospitais
no Brasil
Silvia Porto
a,
*, Mônica Martins
a
, Walter Mendes
a
e Claudia Travassos
b
a
Departamento de Administração e Planejamento em Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca. Fundação Oswaldo Cruz.
Rio de Janeiro, Brasil
b
Laboratório de Informações em Saúde — Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde. Fundação Oswaldo
Cruz. Rio de Janeiro, Brasil
INFORMAÇÃO SOBRE O ARTIGO
Historial do artigo:
Recebido em 1 de Junho de 2010
Aceite em 1 de Setembro de 2010
Palavras-chave:
Segurança do Doente
Eventos Adversos
Custos
Hospitais
*Autor para correspondência.
Correio electrónico: sporto@ensp.fiocruz.br (S. Porto)
RESUMO
Objetivo: Estimar o volume de recursos financeiros gastos com pacientes com Eventos
Adversos em hospitais no Brasil, utilizando informações financeiras disponíveis no Sistema
de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH-SUS).
Metodologia: Estudo descritivo e exploratório sobre a magnitude financeira associada
à ocorrência de EAs em hospitais no Brasil. As fontes de dados empregadas foram:
informações coletadas no estudo de incidência de EA em hospitais no Brasil (estudo de
base) e informações registradas no SIH-SUS. Essas fontes de dados foram encadeadas
(linkage). O universo de estudo foram os pacientes internados em dois hospitais públicos de
ensino do estado do Rio de Janeiro em 2003. Selecionou-se uma amostra aleatória simples
de 622 prontuários de pacientes. Para estimar os custos dos eventos adversos, foram
analisados os dias adicionais decorrentes dos EAs avaliados pelos médicos revisores, o
tempo de permanência e as informações financeiras do SIH-SUS.
Resultados: Nos prontuários de pacientes analisados, 583 pacientes não sofreram EA e 39
(6,3 %) sofreram algum EA. Do total de casos com EA, 25 foram considerados evitáveis
(64,1 %). O valor médio pago (R$ 3.195,42) pelo atendimento aos pacientes com EA foi
200,5 % superior ao valor pago aos pacientes sem EA, enquanto o valor médio pago aos
pacientes com EA evitável (R$1.270,47) foi apenas 19,5 % superior ao valor médio pago aos
pacientes sem EA. Já o observado para os pacientes com EA não evitável (R$ 6.632,84) foi
523,8 % maior que o valor médio dos pacientes sem EA. Os pacientes com EA apresentaram
tempo médio de permanência no hospital 28,3 dias superior ao observado nos pacientes
sem EA. Extrapolados para o total de internações nos dois hospitais, os eventos adversos
implicaram no gasto de R$ 1.212.363,30, que representou 2,7 % do reembolso total.
Conclusão: O estudo mostrou que os danos ao paciente decorrentes do cuidado à saúde
têm expressivo impacto nos gastos hospitalares e apontou várias razões para supor que
os resultados apresentados estejam subestimados. Apesar de ser um estudo exploratório,
mostrou que a importância financeira da ocorrência de eventos adversos, que, em parte,
implicam em dispêndio de recursos desnecessários que poderiam ser utilizados para
financiar outras necessidades de saúde da população.
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