122 INTRODUÇÃO Os sintomas do trato urinário inferior são freqüentes nos consultórios de Ginecologia e, algumas vezes, conduzidos de forma simples e mal investigados 1 . Uma anamnese bem efetuada associada a um exame físico minucioso muitas vezes é capaz de fornecer o diagnóstico preciso e orientar o tratamento correto 2 . Entretanto, existem alguns sintomas urinários similares, que apre- sentam etiologia diferente e, nestes casos, uma propedêutica subsidiária específica torna-se fundamental 3-5 . A avaliação urodinâmica é capaz de identificar as causas especí- ficas dos sintomas urinários e de fornecer dados para orientar o tratamento correto 1,5 . Em se tratando do tratamento cirúrgico para a incontinência urinária, este diagnóstico preciso é fundamental, tendo em vista que a principal e melhor cirurgia deve ser a primeira, e que a taxa de cura declina mais ou menos proporcionalmente ao número de cirurgias subseqüentes 3,6 . O exame é invasivo do ponto de vista emocional, em virtude de a paciente expor suas sensações durante o procedimento e, principalmente, por desencadear o ato de urinar em ambiente estranho, diante do médico ou enfermeira 7 . A maioria dos traba- lhos avalia sensibilidade, eficácia, reprodutibilidade e acurácia do estudo urodinâmico (EUD), mas poucos ressaltam a morbidade e o desconforto do método 8 . A maioria dos estudos que avaliam o incômodo do EUD utiliza questionários genéricos, aplicados antes e imediatamente após o exame 8-11 . O grau de ansiedade, desconforto e vergonha parece IMP MP MP MP MPACT ACT ACT ACT ACTO DO DO DO DO DO ESTUDO ESTUDO ESTUDO ESTUDO ESTUDO URODINÂMICO URODINÂMICO URODINÂMICO URODINÂMICO URODINÂMICO EM EM EM EM EM MULHERES MULHERES MULHERES MULHERES MULHERES COM COM COM COM COM INCONTINÊNCIA INCONTINÊNCIA INCONTINÊNCIA INCONTINÊNCIA INCONTINÊNCIA URINÁRIA URINÁRIA URINÁRIA URINÁRIA URINÁRIA MAÍTA POLI DE ARAUJO*, EMERSON DE OLIVEIRA, GABRIELA CABRAL QUEIROZ, SILVIA HELENA C. DE O. PIMENTEL, CLÁUDIA CRISTINA TAKANO, MARAIR GRACIO F. SARTORI, MANOEL JOÃO BATISTA C. GIRÃO Trabalho realizado na Universidade Federal de São Paulo / Escola Paulista de Medicina, São Paulo/SP *Correspondência: Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 1601, apto 84 Jardim Paulista, São Paulo/SP Cep: 01403-003 Tel/fax: (11) 3885-0355 RESUMO OBJETIVO. Avaliar a tolerabilidade das pacientes com incontinência urinária submetidas ao estudo urodinâmico (EUD). MÉTODOS. Foram avaliadas 49 pacientes com queixas do trato urinário inferior submetidas ao estudo urodinâmico. Por meio de um questionário, as pacientes respondiam sobre seus anseios em relação ao exame a que iriam se submeter (medo, vergonha, ansiedade) e a expectativa de dor, por meio de uma escala visual analógica. Imediatamente após o estudo, as mesmas perguntas eram repetidas. Os resultados foram comparados antes e após a realização do EUD. A análise estatística das variáveis contínuas foi feita pelo teste t pareado, e as variáveis qualitativas foram comparadas pelo teste do Qui-quadrado. Fixou- se em 5% a hipótese de nulidade. RESULTADOS. A média de idade foi de 49,5 (23-84) anos, sendo que 55% estavam no menacme e 45% na pós-menopausa. O principal sentimento antes do exame foi ansiedade, presente em 28 pacientes. A expectativa de dor foi de 4,29 ± 3 (antes do exame) e 2,7 ± 2,9 (após a realização do EUD) (p=0,001). CONCLUSÃO. O EUD apresenta baixa morbidade e desconforto psíquico. A informação prévia ao exame pode diminuir a ansiedade. UNITERMOS: Urodinâmica. Morbidade. Incontinência urinária. Dor. Ansiedade. Vergonha. variar de acordo com a idade e sexo do paciente 9,11 . Pacientes jovens consideram o exame desconfortável 9 . Mulheres normalmente demonstram mais vergonha e homens são mais ansiosos em relação ao EUD 8-10 . O exame normalmente é bem tolerado, apresentando descon- forto mínimo a moderado 9 . Entretanto, ainda existe uma minoria de pacientes que considera o teste embaraçoso, doloroso e estressante 10 . Um melhor conhecimento da expectativa com relação ao EUD, bem como do desconforto físico e psíquico causado pelo exame, pode contribuir para uma orientação mais adequada dos pacientes com sintomas urinários. MÉTODOS As participantes do estudo foram atendidas no setor de Urogi- necologia e Cirurgia Vaginal da Unifesp/EPM, durante o período de julho a dezembro de 2003. Todas apresentavam sintomas do trato urinário inferior e necessitavam de avaliação urodinâmica. Adotamos como critérios de inclusão idade superior a 18 anos, nenhuma experiência prévia com o exame urodinâmico e capaci- dade de entender e completar um questionário. Os critérios de não inclusão foram pacientes com amostra de urina não estéril e incapacidade para cooperar durante o exame. Na primeira consulta, após a anamnese e exame físico, o estudo urodinâmico era explicado verbalmente à paciente e quaisquer dúvidas eram sanadas. Caso a paciente aceitasse participar da Rev Assoc Med Bras 2007; 53(2): 122-5 Artigo Artigo Artigo Artigo Artigo Original Original Original Original Original