61 Informação, comunicação e psicopolítica Sobre a estratégia do conhecimento e compreensão quase totais e absolutos do self, do interlocutor e do ambiente Evandro Vieira Ouriques 1 “Nada disso é para sugerir, no entanto, que a situação é desesperançosa. Pelo contrário. Os tempos em que vivemos oferecem uma tremenda opor- tunidade para expor as falhas da teoria e até mesmo removê-las. Eu estou dizendo simplesmente que se isso vai acontecer não será por con- ta própria. Vai levar algum tempo e um grande compromisso de esforço. Mais uma razão para começar agora.” Vivek Chibber (2013) 1 Introdução O objetivo deste artigo é contribuir para que teóricos, proissionais e alunos de comunicação, biblioteconomia e gestão de unidades de informação tenham maior conhecimento e compreensão da importância estratégica decisiva de sua atuação, e que assim experimentem melhores resultados na valorização e qualiicação eman- cipatória de sua existência na sociedade brasileira, latino-americana e global. Antes de prosseguir, é necessário esclarecer o que chamo de “qualiicação emancipatória”. O conceito ‘emancipação’ é um dos muitos que, por terem sido apresentados por teorias e escolas ilosóicas como sendo o que seria obtido ao usá-las – o que em geral não ocorreu –, acabaram contaminados por essa história. Portanto, de que emancipação falamos? Trata-se aqui do processo psicopolíti- co no qual o sujeito, a rede, o movimento, a organização e a instituição libertam-se gradativa e cumulativamente, com o exercício da força da ‘vontade’ (no sentido 1 Coordenador do Núcleo de Estudos Transdisciplinares de Psicopolítica e Consciência – Escola de Comunicação (UFRJ). Doutor em Comunicação e Cultura pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). E-mail:evandro.vieira.ouriques@gmail.com.