92 Revista Húmus - ISSN: 2236-4358 Mai/Jun/Jul/Ago. 2013. Nº 8. RESENHA: A IMAGINAÇÃO ECONÔMICA, DE SYLVIA NASAR. Walter Marcos Knaesel Birkner 1 Em geral, há três tipos de pessoas, ao que corresponde uma trilogia opinativa: os pessimistas, os otimistas e os duros imparciais. Sem qualquer demérito ou julgamento, classifiquemos logo, no segundo grupo, a jornalista econômica e professora da Universidade Columbia, Sylvia Nasar. É autora de livro que inspirou o filme “Mente brilhante”, dirigido por Ron Howard. Seu mais recente livro A imaginação econômica: gênios que criaram a economia moderna e mudaram a história, Cia. Das Letras, 2012, tradução de Carlos Eugênio Marcondes de Moura, faz uma bela retrospectiva histórica do pensamento econômico ocidental, desde a Revolução Industrial. O otimismo que lhe atribuímos é talvez incorreto, visto que seu livro é empiricamente amparado e suficientemente imparcial. Mas resplandece humanismo, isto é, crença no ser humano e demonstração de seus feitos. A narrativa é, ao mesmo tempo, jornalística, biográfica, sem prejuízo da análise econômica, e quase literariamente defensora do método científico. O livro apresenta cronologicamente o pensamento e a atuação políticos de um conjunto de personagens das teorias econômicas, alguns muito conhecidos, outros pouco lembrados, incluindo algumas valorosas mulheres. A tônica geral da obra reside na contribuição investigativa de certos economistas e sua crença inabalável na condição humana de superar problemas. O efeito mais notável do seu trabalho reside na confrontação entre as conclusões oriundas do pessimismo dedutivo e as constatações derivadas da investigação empírica acerca das características do capitalismo. É o que há de novo na historiografia econômica, mas nem todos apreciarão suas conclusões. Com a tarefa de descrever o cenário de 170 anos de capitalismo, Sylvia Nasar divide a sua narrativa em três atos, como ela literalmente intitula os capítulos. Esperança, Temor e Confiança, assim Ela divide sequencialmente sua grande peça. Seu livro contextualiza as condições da Inglaterra e de alguns personagens do pensamento econômico nascente, incluindo literários, além das condições de trabalhadores e capitalistas, desde os idos de 1840, até o limiar da eclosão da primeira grande guerra. 1 Sociólogo, Professor da Universidade do Contestado – UNC.