Chiroptera Neotropical 17(1), July 2011 795 Método de elevação de redes de neblina em dosséis florestais para amostragem de morcegos Fernando Carvalho 1* & Marta E. Fabián 1 1. Programa de Pós-Graduação em Biologia Animal. Instituto de Biociências, Departamento de Zoologia. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS. Av. Bento Gonçalves, Porto Alegre, RS, Brasil. CEP: 91501-970. * Corresponding author. Email: fernando_bats@yahoo.com.br Abstract Instalation of mist nets in forest canopies. The use of mist nets installed in the understory, possible routes of flight, is possibly the most commonly used method in studies of bats. However, this method is partially selective, capturing mainly fruit bats that forage in the understory. The present study aimed to present a method for lifting mist nets canopies. Data obtained in field experiments show that in general, the rise of networks by this method is efficient for the sampling of bats in the canopy and subcapony in Atlantic rain forests. Both Phyllostomidae and Vespertilionidae showed considerable increase in wealth with the sampling of the upper stratum. Keywords: capture, canopy, inventory, richness, subcanopy. Resumo O uso de redes de neblina instaladas no sub-bosque, em possíveis rotas de vôo, é possivelmente o método comumente mais utilizado em estudos com morcegos. No entanto, este método é parcialmente seletivo, capturando principalmente, morcegos frugívoros que forrageiam no subosque. O presente manuscrito teve como objetivo, apresentar um método para elevação de redes de neblina em dosséis. Os dados obtidos em campo demonstram que, de forma geral, a elevação de redes pelo método descrito é eficiente para a amostragem de morcegos no subdossel e dossel de regiões de Mata Atlântica. Tanto Phyllostomidae quanto Vespertilionidae apresentaram aumento considerável na riqueza com a amostragem dos estratos superiores. Palavras-chave: dossel, subdossel, inventário, riqueza, captura. Introdução Para a captura de quirópteros são utilizados diversos métodos, desde coleta manual, com redes manuais (puçá), armadilhas tipo funil, armadilhas do tipo harpa e redes de neblina (e.g Kunz & Kurta 1988). O uso de redes de neblina instaladas no sub-bosque, em possíveis rotas de vôo, é possivelmente o método comumente mais utilizado em estudos com morcegos (Esbérard 2006; Mangini & Nicola 2006; Scultori et al. 2008), o que se justifica pelo seu baixo custo, facilidades no transporte e montagem em campo (Kunz & Kurta 1988). No entanto, as redes de neblina apresentam a desvantagem de serem parcialmente seletivas, capturando principalmente, morcegos frugívoros que forrageiam no sub-bosque (Sipinski & Reis 1995; Pedro & Taddei 1997). Contudo, membros da ordem Chiroptera apresentam grande plasticidade quanto à utilização do habitat, com espécies que forrageiam em meio ao sub-bosque, subdossel, dossel e acima dos dosséis (e.g Kalko 1998; Schnitzler & Kalko 1998), sendo que algumas espécies são aparentemente restritas ao dossel e subdossel (Rinehart & Kunz 2001). Em muitos estudos, o objetivo principal é conhecer riqueza e diversidade da fauna de morcegos de uma dada localidade, porém a utilização de redes de neblina instaladas apenas no nível do sub-bosque não cumpre plenamente este objetivo, fazendo-se necessário o emprego de outros métodos concomitantemente (Portfors et al. 2000; Bergallo et al. 2003). Uma alternativa para preencher parcialmente esta lacuna, nas amostragens é a elevação das redes de neblina até estratos superiores da floresta. Vários métodos para amostragem de morcegos e aves em dosséis já foram desenvolvidos, sendo que estes necessitam desde estruturas simples e materiais de fácil acesso (e.g Greenlaw & Swinebroad 1967; Humphery et al. 1968; Kunz & Kurta 1988; Munn 1991; Meyers & Pardeeck 1993; Scultori et al. 2008; Von Matter 2008), até aqueles que utilizam estruturas complexas de difícil montagem (e.g Whitaker 1972; Stokes et al. 2001) e redes com formatos específicos (Rinehart & Kunz 2001).