Saúde e Vulnerabilidade na Faixa de Fronteira do Brasil 1 Paulo Peiter 2 Lia Osório Machado 3 Luisa Iñiguez Rojas 4 O objetivo deste artigo é mostrar como o olhar geográfico pode contribuir para a compreensão de aspectos do processo saúde/doença em regiões de fronteira internacional, através do estudo da Faixa de Fronteira Continental do Brasil. Na primeira parte do artigo, apresentam-se as principais concepções geográficas sobre limites e fronteiras e seus efeitos na saúde das populações fronteiriças descritos na literatura. Na segunda parte, apresenta-se a diversidade de situações geográficas, socioeconômicas e de disponibilidade de recursos de saúde que condicionam a situação de saúde ao longo da Faixa de Fronteira do Brasil e a distribuição espacial e os determinantes da malária, Aids, tuberculose e hanseníase, quatro agravos de grande relevância para a atual conjuntura epidemiológica nacional e fronteiriça. A temática dos limites e fronteiras na Geografia A literatura sobre limites e fronteiras é muito ampla, principalmente na Geografia, na Antropologia, nas Ciências Políticas, no Direito Internacional e na História. Os estudos clássicos da Geografia Política tratam a questão dos limites e fronteiras sob a ótica dos Estados nacionais, abordando questões como a demarcação de territórios, o poder e a soberania nacional (Curzon of Kedleton, 1907; Kristof, 1959; Ancel, 1938; Gottman, 1952). As abordagens contemporâneas procuram ampliar o escopo das análises incorporando questões como a relação entre fronteiras, 1 Este artigo foi apresentado na mesa sobre “Fronteiras e Vulnerabilidade”, no II Simpósio de Geografia da Saúde, no Rio de Janeiro, em 2005, e é resultado da tese de doutorado em Geografia de Paulo Peiter: “A Geografia da Saúde na Faixa de Fronteira Continental do Brasil na Passagem do Milênio”, defendida em julho de 2005 no Programa de Pós-Graduação em Geografia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. 2 Pesquisador da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio 3 Professora adjunta do Programa de Pós graduação em Geografia da UFRJ 4 Professora do Centro de Estudios del Bien Estar Humanos da Universidade de Havana, Cuba