João Fábio Bertonha– Doutor do Departamento de História da Universidade Estadual de Maringá Pr – Brasil - e-mail: fabiobertonha@hotmail.com UNESP – FCLAs – CEDAP, v.3, n.1, 2007 p. 121 ISSN – 1808–1967 A CONSTRUÇÃO DA MEMÓRIA ATRAVÉS DE UM ACERVO PESSOAL: O CASO DO FUNDO PLÍNIO SALGADO EM RIO CLARO (SP) * João Fábio BERTONHA ** Resumo: O objetivo deste artigo é discutir como é construída a memória histórica a partir da formação de um arquivo pessoal. Mais especificamente, o texto trabalha com a documentação do líder político e intelectual brasileiro Plínio Salgado (1875-1975), procurando entender os mecanismos através dos quais ele moldou a sua documentação para construir a sua imagem no futuro e seus objetivos nesse sentido. Os cuidados do historiador ao trabalhar com essa documentação e com fundos pessoais em geral serão especialmente enfatizados. Palavras chave: acervos pessoais, Integralismo, Plínio Salgado Abstract: The objective of this paper is to discuss how the historical memory is constructed from the formation of personal archives. Particularly, the text deals with the documentation of the political leader and Brazilian intellectual Plínio Salgado (1875 – 1975), trying to understand the mechanisms by which he formed his documentation to build his image in the future and his objectives in this sense. The concerns of the historian when working with this documentation and personal funds in general are emphasized. Keywords: Personal collections, Integralism, Plínio Salgado A problemática da memória e as suas múltiplas abordagens têm se tornado um tema recorrente na produção da História nas últimas décadas. A historiografia tem procurado compreender, dentro dos mais diferentes temas, como os vários agentes históricos (pessoas, classes, grupos políticos, movimentos sociais, etc.) interpretam e reelaboram o seu próprio passado, assim como a maneira com que esses agentes procuram difundir e popularizar essa memória dentro da sociedade. A historiografia que aborda o movimento integralista não foge desse novo enfoque, com vários trabalhos tendo sido produzidos, nos últimos anos, para analisar desde a forma com que vários agentes políticos e sociais (como o Estado Novo ou a Igreja) interpretaram o movimento dos camisas verdes até a maneira como se constituiu a memória oficial (expressa nos livros didáticos e no senso comum) sobre o movimento 1 . Além disso, ainda trabalhando dentro do tópico da memória, é impressionante a própria produção dos herdeiros do Integralismo e do seu sucessor pós 1945, o Partido de Representação Popular, assim como dos novos militantes contemporâneos. Efetivamente,