IDENTIDADE, DIVERSIDADE E PERTENCIMENTO COMO RECURSOS DA INTEGRAÇÃO REGIONAL: POLÍTICAS CULTURAIS NA AGENDA LATINO-AMERICANA E EUROPEIA Daniele Canedo 1 Resumo: Este artigo apresenta resultados de uma pesquisa documental que buscou delimitar a dimensão cultural das políticas regionais desde a criação dos blocos União Europeia e Mercosul até 2012. O recorte recai sobre o discurso presente no marco legal que regula o papel da cultura no processo de integração regional e, por conseguinte, o papel dos blocos na elaboração e execução de políticas culturais supranacionais na Europa e na América do Sul. Palavras-chave: cultura, integração regional, políticas culturais, União Europeia, Mercosul. No livro Comunidades Imaginadas - reflexões sobre a origem e a difusão do nacionalismo, Benedict Anderson (1993) estuda o processo de formação do sentimento nacionalista. Segundo o autor, esse sentimento é o resultado de esforços políticos, culturais e sociais para a construção de um vínculo imaginário que agrega a população. Portanto, a nação seria um construto social, uma "comunidade imaginada" porque os membros de uma nação não se conhecem, mas internalizam e assumem a ideia de que fazem parte de um todo coeso. (ANDERSON, 1993, p. 23). Andrew Hurrel (1995) comparou o processo de formação do nacional aos objetivos dos projetos de integração regional supranacional. Segundo o autor, "as regiões podem ser vistas como comunidades imaginadas que repousam sobre mapas mentais cujas linhas destacam algumas características sem ter em conta os outras." (HURREL, 1995, p. 335, tradução nossa). A integração regional surgiu em meados dos anos de 1950 como uma estratégia de posicionamento geopolítico no cenário global. Todavia, foi a partir dos anos de 1990 que tal arranjo de gestão pública ganhou ímpeto, com a intensificação da globalização, que colaborou para ampliar a interdependência econômica, política e até mesmo social dos países do mundo. A União Europeia, criada 1 Professora Adjunta do Centro de Cultura, Linguagens e Tecnologias Aplicadas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia. Vice-coordenadora do Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC- BA). culturamundoafora.com / danielecanedo@ufrb.edu.br