Comportamento do feijoeiro em cultivo consorciado com milho em sistema de plantio direto Alessandra Demarchi Maciel 1 , Orivaldo Arf 1 *, Matheus Gustavo da Silva 1 , Marco Eustáquio de Sá 1 , Ricardo Antônio Ferreira Rodrigues 2 , Salatiér Buzetti 2 e Evaristo Bianchini Sobrinho 3 1 Departamento de Fitotecnia, Tecnologia de Alimentos e Socio-economia, Faculdade de Engenharia, Universidade Estadual Paulista, Câmpus de Ilha Solteira, C.P. 31, 15385-000, Ilha Solteira, São Paulo, Brasil. 2 Departamento de Fitossanidade, Engenharia Rural e Solos, Faculdade de Engenharia, Unesp, Campus de Ilha Solteira, C.P. 31, 15385-000, Ilha Solteira, São Paulo, Brasil. 3 Departamento de Biologia e Zootecnia, Faculdade de Engenharia, Unesp, Câmpus de Ilha Solteira, C.P. 31, 15385-000, Ilha Solteira, São Paulo, Brasil. 4 Departamento de Matemática, Faculdade de Engenharia, Unesp, Câmpus de Ilha Solteira, CP. 31, 15385-000, Ilha Solteira, São Paulo, Brasil. *Autor para correspondência. e-mail: arf@agr.feis.unesp.br RESUMO. O consórcio de culturas é prática comum na maioria das pequenas propriedades no Brasil e parte do milho e do feijão produzidos são provenientes de cultivos em consórcio. O trabalho foi desenvolvido durante dois anos agrícolas, objetivando avaliar a eficiência do feijão em consórcio com milho, utilizando diferentes populações de plantas em relação ao monocultivo. O delineamento experimental utilizado foi em blocos ao acaso com quatro repetições. O consórcio interferiu em todas as características agronômicas do feijoeiro, das quais a mais afetada foi o número de vagens planta -1 e as menos afetadas o número de grãos vagem -1 e a massa de 100 grãos. A população de 125.000 plantas ha -1 de feijão produziu mais na menor população de milho (30.000 plantas ha -1 ), já a população de 250.000 plantas ha -1 de feijão resistiu mais ao consórcio e se desenvolveu bem nas duas populações de milho (30.000 e 50.000 plantas ha -1 ). Palavras-chave: Phaseolus vulgaris L., Zea mays L., populações de plantas, cultivares. ABSTRACT. Common bean performance in intercropping corn - common bean in no tillage system. Intercropping is a common practice in the majority of the small farms in Brazil. Most of corn and common bean are cropped in intercropping system. This study was developed during two years in order to evaluate the productive efficiency of intercropping corn - common bean, using different populations of plants in relation to monocropping system. A randomized complete block design with four replications was used. Intercropping influenced all agronomic characteristics of common bean, mainly the number of pods plant -1 . The characteristics less affected were the number of grains pod -1 and the weight of 100 grains. The population of 125,000 common bean plants ha -1 produced more in the smaller population of corn (30,000 plants ha -1 ). However, the population of 250,000 common bean plants ha -1 fitted better to intercropping and it developed well in the two populations of corn plants (30,000 and 50,000 plants ha -1 ). Key words: Phaseolus vulgaris L., Zea mays L., plant population, cultivars. Introdução A maior parte da produção de alimentos básicos é oriunda de pequenas propriedades, por isso é importante a introdução de técnicas de baixo custo, objetivando o aumento do rendimento. Nesse contexto, o consórcio de culturas pode transformar- se em uma prática de grande expressão para a agricultura de subsistência (Raposo, 1995). Entende- se por consórcio de culturas o sistema de cultivo em que a semeadura de duas ou mais espécies é realizada em uma mesma área, de modo que uma das culturas conviva com a outra, em todo ou em pelo menos em parte do seu ciclo (Portes e Silva, 1996). O consórcio de culturas é prática generalizada em boa parte das pequenas propriedades do Brasil, em especial por produtores que buscam, com esse sistema, a redução dos riscos de perdas, o melhor aproveitamento da sua propriedade e maior retorno econômico, além de constituir alternativa altamente viável para aumentar a oferta de alimentos (Andrade et al., 2001). De acordo com Flesch (1988), o consórcio feijão e milho é o mais comum dentre as diferentes associações e, por isso, merece atenção especial por parte dos pesquisadores no sentido de se buscar estratégias para melhoria da eficiência desse sistema de cultivo. No cultivo consorciado, as espécies normalmente diferem em altura e em distribuição das folhas no espaço, entre outras características morfológicas, que podem levar as plantas a competir por energia luminosa, água e Acta Scientiarum. Agronomy Maringá, v. 26, n. 3, p. 273-278, 2004