1 Gonçalo M. Tavares: um caso tardo-modernista? PEDRO MENESES 1 pedro10meneses@gmail.com A obra de Gonçalo M. Tavares recebeu inúmeros prémios, tem sido estudada profusamente nas academias, está traduzida em várias línguas e vem sendo publicada em várias editoras. Importa interrogar esta dispersão editorial. Estamos diante de um autor muito produtivo e consciente do seu território textual ao ponto de definir séries em função do género literário, do tema ou da linguagem. Processos que visam criar uma obra original, correspondendo a um dos postulados da modernidade literária. Além disso, Gonçalo M. Tavares resiste às interpelações da modernidade sociológica, sem que por isso a sua obra se enclausure num absoluto literário. Palavras-chave: mercado editorial; modernidade; produtividade; géneros literários The work of Gonçalo M. Tavares has received numerous awards, has been widely studied in the academies, it has been translated into several languages and has been published in various publishing houses. It is important to question such editorial dispersion. We are facing a very productive author whose great consciousness about his textual territory leads him to create series based on the literary genre, theme or style. Such processes aim to create an original work, in this way corresponding to one of the goals of literary modernity. Gonçalo M. Tavares also resists to the requests of sociological modernity, even though his work is not closed in a literary absolute. Keywords: publishing; modernity; productivity; literary genres Un jour l’homme était virulent Antonin Artaud 1. Território textual – uma viagem errática Gonçalo M. Tavares recebeu vários prémios, entre os quais o Prémio para Melhor Livro Estrangeiro publicado em França, o Prémio APE, ambos em 2010, o Portugal Telecom, em 1 Universidade do Minho, CEHUM, Braga, Portugal e Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Viana do Castelo, Portugal. Bolseiro de doutoramento no CEHUM com financiamento FCT apoiado pelo POPH/FSE.