XXIV Congresso Brasileiro de Engenharia Biomédica – CBEB 2014 1 Automação Hospitalar: Unitarização de Blister Alessandro Pinheiro, José Felício, Afonso Delgado, Péricles Póvoa e Lucas Magedanz Programa de Pós-Graduação em Engenharia Biomédica, Faculdade do Gama/UnB, Brasília, Brasil e-mail: alessandro.pinheiro@gmail.com Resumo: Parte integrante dos processos mais críticos das unidades assistenciais à saúde, a farmácia hospitalar tem um papel fundamental na assistência ao paciente. O foco na segurança nos processos, tem motivado o uso crescente da tecnologia no controle de estoque, armazenamento e dispensação de medicamentos, adotando boas práticas e automatizações que anteriormente eram exclusivamente da indústria farmacêutica. Neste contexto, a unitarização de blister tem um papel fundamental na segurança do paciente. Palavras-chave: automação, unitarização, dispensação. Abstract: Integral of the most critical processes of health care units part, the hospital pharmacy has a key role in patient care. The focus on process safety, has motivated the increasing use of technology in inventory control, storage and dispensing drugs, adopting best practices and automation that were previously exclusively the pharmaceutical industry. In this context, the unitarization of blister has a key role in patient safety. Keywords: automation, unitarization, hospital pharmacy. Introdução Atualmente o foco do farmacêutico voltou-se principalmente para o controle de estoque, dispensação dos produtos, desempenhando um papel de gestor de processos, em contraposição do seu objetivo inicial que era predominantemente técnico-operacional [1]. Para a ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a farmácia hospitalar é conceituada como “unidade de assistência técnica e administrativa, dirigida por profissional farmacêutico, integrada funcional e hierarquicamente nas atividade hospitalares” [2]. Na farmácia hospitalar, as três formas mais frequentes de acondicionamento de cápsulas e comprimidos, são: Potes: – comumente utilizados por comprimidos que são vendidos em quantidades maiores que 50 unidades; Stripers: – são invólucros aluminizados, fundidos e prensados, que formam uma lacuna em seu interior na qual fica alojada o produto; Blister: – tipo de embalagem utilizado para armazenamento de alimentos, cosméticos e medicamentos. Podem ser fabricados com poliamida, vinil, poliéster e lâmina de alumínio. Para a ANVISA, blister é um “recipiente que consiste de uma bandeja moldada com cavidades dentro das quais as formas farmacêuticas são armazenadas” [3]. Porém, muitos remédios não podem ser embalados apenas com um tipo de material, geralmente a embalagem é formada por uma composição de dois ou mais materiais. Cada material tem uma função, como, por exemplo, proteção contra impactos, intempéries climáticas e, ao mesmo tempo, não permitir uma reação química do fármaco no interior da embalagem [4]. No caso do blister e do striper, pode-se dizer que seu acondicionamento para utilização no varejo possui a vantagem de manter a atmosfera de contato com o medicamento estéril até o momento do consumo. Em um hospital de médio porte localizado em Brasília, são dispensados em média 25 mil doses de medicamento ao mês [5]. Grande parte dessas doses foram anteriormente individualizadas na farmácia hospitalar desta unidade. Em face desta demanda, é necessário o desenvolvimento de um sistema que possibilite o corte automático, consequentemente oferecendo mais segurança ao paciente e agilidade no atendimento. Sistemas de dispensação A dispensação do medicamento é o ato de disponibilizar um medicamento ao paciente após a prescrição médica, podendo ser direta ou indireta através da equipe de enfermagem. Há atualmente vários sistemas de dispensação de medicamento, por exemplo, sistema coletivo, sistema individualizado e sistema por dose unitária. Sistema coletivo – Neste sistema o medicamento é dispensado na sua embalagem original e em grande quantidade para a unidade solicitante. Após a equipe de enfermagem totalizar todas as prescrições da unidade, o setor faz as solicitações dos medicamentos para todos os pacientes. A farmácia separa os medicamentos e os entrega aos solicitantes. Porém, o medicamento não utilizado raramente volta à farmácia, gerando desperdícios devido a sua não utilização. Sistema individualizado – Este sistema é subdivido em dois: direto e indireto. Se a prescrição médica for realizada em uma via, ou seja, em uma folha única, o método é indireto, pois a equipe de enfermagem deverá transcrevê-lo novamente para a farmácia hospitalar. Caso a prescrição seja feita em duas vias, simplesmente é remetida uma cópia para a farmácia hospitalar sem a necessidade de transcrevê-la novamente. Sistema por dose unitária – Em comparação aos sistemas anteriores, o sistema de distribuição por dose unitária é o que apresenta uma melhor segurança ao paciente e com significativa redução de gastos. Neste sistema, o farmacêutico é responsável por traçar um perfil famacoterapêutico para cada paciente, analisando 1062