185 9 1[2009 revista de pesquisa em arquitetura e urbanismo programa de pós-graduação do departamento de arquitetura e urbanismo eesc-usp “Construir, Habitar, Pensar” e sua contenda arquitetônica. Uma conciliação possível? P Valéria Eugênia Garcia Arquiteta e urbanista, doutoranda em Teoria e História da Arquitetura e Urbanismo pelo Programa de Pós-Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade de São Paulo (EESC-USP), Avenida Trabalhador Sancarlense, 400, CEP 13566-590, São Carlos, SP, (16) 3373-9294, vgarcia@sc.usp.br Manoel A. L. Rodrigues Alves Arquiteto e urbanista, professor doutor do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da EESC-USP, Av. Trabalhador Sancarlense, 400, Centro, CEP 13566-590, São Carlos, SP, (16) 3373-9294, mra@sc.usp.br referência or quais caminhos segue o exercício presente da arquitetura? Esta é uma questão chave a ser discutida no meio acadêmico que forma os profissionais que atuam e atuarão no universo, que ora dizemos contemporâneo, já que de maneira geral produz implicações na esfera da teoria, na prática projetual, no espaço resultante desta prática, na significação estética do objeto construído e, em um sentido ainda mais amplo, na arquitetura enquanto campo profissional. Aprofundando o sentido deste questionamento, interrogamos: Essa arquitetura se conhece e se reconhece como agente relevante da atualidade? Frente a uma réplica afirmativa, seriamos tentados a pedir que apresente, então, respostas que fundamentem seu campo de atuação, nas responsabilidades de sua prática que implicam desde a concepção em teoria e projeto, determinações sociais e econômicas emaranhadas em um mercado imobiliário onde interesses diversos determinam a direção e o exercício do que entendemos como arquitetura. O artigo redigido por Clive Dilnot propõe uma leitura diferente e perturbadora do clássico heideggeriano “Construir, Habitar, Pensar”. Seu argumento clama o pensar arquitetura como um movimento essencial. Trata-se de um pensar ancorado em uma estrutura de questionamentos alinhavada na relação, ou “não-relação”, entre os vocábulos que anunciam o texto de Martin Heidegger. Pela via do linguajar metafórico “construir-habitar” abre a possibilidade de pensar o campo de trabalho arquitetônico em um ato de significância original. A arquitetura, melhor dizendo, sua exclusão das conexões possíveis entre construir, habitar, pensar é interpretada por Dilnot como uma crítica à condição contemporânea de uma profissão que ainda não se reconhece, que para uma existência plena necessita exercer sua autoconsciência. Assim, segundo esta interpretação a tarefa crucial do texto de Heidegger é re-colocar o pensar arquitetônico em seu nível fundacional, para além das possibilidades historicistas e historiográficas, na construção de seu vir-a-ser como categoria. É pelo viés do distúrbio, para além de abrir-se a teorias restauradoras que Dilnot defende o pensar a partir de uma estrutura de questionamento aberta, “a ser forçada, se necessário, na revelação de um questionamento potencial, o distúrbio endemicamente neste contido”. Mais que a negação da arquitetura, o professor americano enxerga nas linhas heideggerianas sua acepção como um campo que aguarda um devir para o sujeito autônomo e autosuficiente da modernidade (ou melhor, da pós- modernidade). Contudo, esta interpretação mostra-