Cienc Cuid Saude 2008;7(Suplem. 1):121-126 PROGRAMA DE TRATAMENTO MULTIPROFISSIONAL DA OBESIDADE: OS DESAFIOS DA PRÁTICA Glauco Barnez Pignata Cattai * Fabiana Alonso Rocha * Luzia Jaeger Hintze * Bruno Guilherme Morais Pagan ** Nelson Nardo Junior *** RESUMO O aumento da prevalência da obesidade entre crianças e adolescentes representa um complexo desafio para as famílias e a sociedade, pois, uma vez instalada, predispõe a uma série de comorbidade, além de afetar, de forma expressiva, a qualidade de vida dessas pessoas. Deste modo, a Associação de Obesos de Maringá - AOM, em parceira com o Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá, vem desenvolvendo, há aproximadamente dois anos, o programa Vivendo com Saúde, que atende adolescentes de 11 a 17 anos. O propósito deste trabalho foi descrever as características do programa e dos participantes, comparando-o a outros programas similares. O programa tem duração de 16 semanas por semestre. Até o primeiro semestre de 2007, foram atendidos 40 adolescentes, dos quais 29 concluíram o programa. A taxa de desistentes é comparável a de outros estudos e representa uma questão a ser trabalhada nestes programas. Outro aspecto comum entre os vários programas analisados e a presente intervenção diz respeito à redução de peso, que costuma ser pequena. No entanto, há evidentes melhoras na aptidão física dos participantes. Palavras-chave: Obesidade. Saúde. Adolescente. * Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM). Bolsista do Programa de Educação Tutorial do Departamento de Educação Física (PET/DEF/UEM). ** Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá (UEM). *** Educador Físico. Doutor. Professor Adjunto do Departamento de Educação Física da UEM. Tutor do PET/DEF/UEM. INTRODUÇÃO A obesidade vem apresentando-se como um dos maiores problemas de saúde pública, pois, além de apresentar alta prevalência, configura-se como fator de risco, desencadeador de diversas doenças crônico-degenerativas como a hipertensão, as dislipidemias, o diabetes mellitus tipo II e as doenças cardiovasculares (1) . A prevalência da obesidade tem crescido de maneira alarmante nas últimas décadas em países industrializados, bem como nos países em desenvolvimento, caracterizando-a como doença crônica e epidêmica, tornando-se, assim, um dos principais problemas de saúde pública (2) . Atualmente, estima-se que exista 1 bilhão de pessoas com sobrepeso em todo o mundo, sendo que, desses, 300 milhões são considerados clinicamente obesos (3) . No entanto, a prevalência varia entre os países e entre suas regiões. Em países industrializados como EUA, a prevalência de sobrepeso já atinge aproximadamente 60% da população, sendo que, desses, 30% são obesos (4) . No Brasil, estima-se que o sobrepeso já é encontrado em 40% da população, sendo que só a obesidade já apresenta prevalência de 15% (5) . Além disso, as crianças e os adolescentes, também, passaram, nos últimos anos, a apresentar prevalências alarmantes de obesidade, problema antes observado com maior freqüência nos adultos. Nos EUA, estudos populacionais estimaram um aumento de 39% na prevalência de obesidade nos últimos 30 anos em adolescentes de 12 a 17 anos e, ainda mais alarmante é o aumento da prevalência entre crianças de 6 a 11 anos, que foi 54% para o mesmo período (6) . O Brasil, também, apresenta grande número de crianças e adolescentes obesos, com estudos apontando para a prevalência de 28,6% de