RESUMO As múltiplas questões suscitadas pela relação entre jornalistas e fontes de informa- ção fazem parte das mais recorrentes preocupações desta classe profissional. Não admira, portanto, que sejam referidas com frequência nos Códigos Deontológicos dos jornalistas. Constatamos entretanto, quando lemos códigos de diversas latitudes, que essas referên- cias são muito desiguais – tanto no pormenor com que aprofundam (ou não) o assunto, como no maior ou menor enfoque dado a determinados aspectos particulares –, reve- lando sensibilidades diversas, tradições particulares e até enquadramentos legais especí- ficos. O objectivo desta comunicação é tentar mostrar, de modo necessariamente breve e não exaustivo, as principais semelhanças e diferenças existentes nos Códigos Deontoló- gicos (ou Códigos de Conduta Profissional) de jornalistas, no espaço europeu, quanto à abordagem da problemática das fontes. Analisa-se complementarmente, de modo mais detalhado, a questão específica da protecção das fontes confidenciais de informação (sigilo profissional). Enquadramento A relação entre os jornalistas e as fontes de informação é, consabida- mente, uma das facetas do trabalho jornalístico mais sensíveis a questões do domínio ético, tanto mais que ela consiste, grande parte das vezes, numa relação entre duas pessoas concretas, mas com papéis e objectivos diversos 319 * Jornalista, Provedor do Leitor do jornal PÚBLICO, professor convidado do Departa- mento de Ciências da Comunicação da Universidade do Minho, Braga. Comunicação e Sociedade 2, Cadernos do Noroeste, Série Comunicação, Vol. 14 (1-2), 2000, 319-337 A QUESTÃO DAS FONTES NOS CÓDIGOS DEONTOLÓGICOS DOS JORNALISTAS JOAQUIM FIDALGO *