Lecta, v. 22, n. 1/2, p. 53-58, jan./dez. 2004 53 Efeitos da administração aguda e subcrônica da Luehea divaricata Martus et Zuccarini Aparecida Erica Bighetti *1, 3 Márcia Aparecida Antônio 1, 3 Ana Possenti 1 Mary Ann Foglio 1 Marina Guimarães Siqueira 1, 2 João Ernesto de Carvalho 1, 2 Resumo: As cascas de Luehea divaricata Martus et Zuccarini (Tiliaceae) são usadas na medicina popular como antiinflamatório e como anti-reumático. O objetivo deste trabalho foi determinar o efeito toxicológico subcrônico do extrato bruto hidroalcoólico (70%) (CHE) em ratos, pela via oral e intraperitoneal. Palavras-chave: Luehea divaricata; Teste de toxicidade; Planta medicinal. Effects of acute and subchronic administration of Luehea divaricata Martus et Zuccarini Abstract: The bark of Luehea divaricata Martus et Zuccarini (Tiliaceae) is used in folk medicine as anti- inflammatory and antireumatic. The aim of this work was determinated the acute and subchronic toxicological effect of the crude hydroalcoholic (70%) extract (CHE) in rats, by oral and intraperitoneal route. Keywords: Luehea divaricata; Toxicological test; Medicinal plants. Introdução A Luehea divaricata Martus et Zuccarini (Tiliaceae) geralmente é encontrada em alguns estados do Brasil como Rio de Janeiro, Bahia, São Paulo, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso do Sul. Trata-se de uma árvore com 16 metros de altura, com casca fina, de coloração pardo-acinzentada, com numerosos e pequenos sulcos longitudinais e que floresce durante os meses de dezembro a fevereiro. Conhecida popularmente como “Açoita-cavalo”, sua casca é empregada na medicina popular, na forma de decocto, como antiinflamatório, diurético e anti- reumático. Em razão de sua utilização na medicina popular em diversos tratamentos, o objetivo deste trabalho foi investigar o possível efeito tóxico do extrato bruto hidroalcoólico da Luehea divaricata em tratamento prolongado. Material e métodos Material vegetal O material vegetal foi coletado na cidade de Leme (São Paulo/Brasil) e uma exsicata da espécie foi depositada no Herbário Frei Velloso, sob o número VELL – 0052, da Universidade São Francisco (USF), Brasil. Preparação do extrato bruto hidroalcoólico A casca seca e moída (200 g) foi macerada com 1,0 L de solução hidroalcoólica 70% (etanol: água - 70:30) durante 4 horas, à temperatura ambiente. Após esse período, foi realizada uma filtração a vácuo em funil de placa porosa, sendo o resíduo da planta lavado com 0,3 L dessa solução, fornecendo o extrato hidroalcoólico 1. O resíduo da planta foi extraído com 0,6 L da solução descrita acima durante 4 horas e filtrado a vácuo. O resíduo vegetal, após lavagem com 0,3 L da mesma so- lução, foi descartado, obtendo-se o extrato hidroalcoólico 2, o qual foi misturado ao extrato hidroalcoólico 1. O extrato bruto resultante foi evaporado a vácuo em evaporador rotativo, mantendo a temperatura do banho inferior a 40ºC. A solução concentrada foi liofilizada, obtendo-se 40,12 g de extrato bruto seco (EB), com um rendimento de 20% sobre o peso seco da planta processada. 1 Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo, Brasil 2 Depto. Clínica Médica, Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, São Paulo, Brasil 3 Curso de Farmácia, Universidade São Francisco, Bragança Paulista, São Paulo, Brasil * Endereço para correspondência: CPQBA-Unicamp Caixa Postal 6.171– Campinas-SP – 13083-970 E-mail: ericabighetti@vivax.com.br