Cienc Cuid Saude 2007 Jul/Set;6(3):300-304 DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO GRAVES: DIFICULDADES PARA COMUNICAR AO PACIENTE E À FAMÍLIA Isabel Amélia Costa Mendes * Miyeko Hayashida ** Maria Auxiliadora Trevizan *** Simone de Godoy **** Josete Luzia Leite ***** Maria Suely Nogueira ****** RESUMO Trata-se de estudo exploratório acerca de algumas questões éticas ao revelar o diagnóstico/prognóstico grave à família e paciente, quanto à sua ocorrência e freqüência, do ponto de vista de enfermeiros pós-graduandos. A amostra foi composta por 62 enfermeiros. A maioria deles afirmou que revelar o diagnóstico (85,5%) e prognóstico (75,8%) ao paciente é um problema freqüente ou muito freqüente, sendo minimizado quando a revelação é para a família. A revelação à família é mais freqüente que a revelação direta ao doente sobre o diagnóstico (50%) e prognóstico (56,5%). Palavras-chave: Ética. Enfermagem. Diagnóstico. Comunicação. Humanização da assistência. * Enfermeira. Professora Titular da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP), Centro Colaborador para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem. Pesquisador 1A do CNPq. ** Enfermeira. Doutora em Enfermagem. Chefe da Seção de Apoio Laboratorial da EERP-USP. *** Enfermeira. Professora Titular da EERP-USP. Centro Colaborador para o Desenvolvimento da Pesquisa em Enfermagem Pesquisador 1A do CNPq. **** Enfermeira. Mestre em Enfermagem. Especialista em Laboratório da EERP-USP. ***** Enfermeira. Professora Titular Aposentada da Universidade do Rio de Janeiro e professora visitante da Escola de Enfermagem Anna Nery da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Pesquisador 1A do CNPq. ****** Enfermeira. Professor Associado da EERP-USP. Pesquisador 1D do CNPq. INTRODUÇÃO A promoção do cuidado respeitoso aos pacientes em final de vida tem sido um tema de grande interesse na literatura para os profissionais de enfermagem e medicina durante as últimas três décadas. Uma pergunta básica freqüente é: quando e como o paciente e/ou sua família devem ser informados sobre um diagnóstico ou prognóstico grave? Na literatura, a resposta é freqüentemente dada com referência a princípios éticos tais como dizer a verdade, beneficência, etc.; em outras palavras, com aquilo que é considerado ideal no Mundo Ocidental. Na realidade, a resposta depende das tradições do sistema de saúde de cada país, de tradições que às vezes são explícitas e transmitidas na forma de conhecimento e às vezes implícitas na forma de crenças, atitudes ou comportamento não- verbal. O estilo de comunicação, crenças sobre o individualismo e coletividade, assim como as abordagens relativas à tomada de decisões, originam-se a partir da cultura (1) . Os sistemas de saúde refletem, em grande parte, construtos culturais, e as crenças sobre a saúde e doença são culturalmente determinadas. As experiências relacionadas à morte e à doença devem ser compreendidas no âmbito da complexa teia de significados culturais. Para desenvolver a compreensão disso, estudos empíricos comparativos multiculturais são de grande importância. O objetivo do presente estudo foi analisar questões relativas ao fornecimento, ao paciente e sua família, de informações sobre diagnóstico e prognóstico graves, na perspectiva de enfermeiros.