ESTRATÉGIAS INTUITIVAS DE ALUNOS DO 9.º ANO DE ESCOLARIDADE NA RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS DE COMBINATÓRIA Paulo Ferreira Correia Escola Secundária/3 de Barcelos – Barcelos/Portugal ferreiracorreiapaulo@gmail.com José António Fernandes Universidade do Minho – Braga/Portugal jfernandes@iep.uminho.pt Resumo. A importância da Combinatória, com aplicações crescentes, implica que seja repensado o seu lugar na escola. É neste contexto que se insere o presente estudo, tendo por objectivo avaliar o potencial das estratégias intuitivas de resolução de problemas de Combinatória em alunos do 9.º ano. O estudo foi realizado numa turma de 9.º ano, com 27 alunos, e a recolha de dados foi efectuada através da administração individual de um teste, incluindo questões sobre as operações combinatórias: permutações simples, arranjos com repetição, arranjos simples e combinações simples. As sessões de realização dos testes foram audiogravadas, tendo sido pedido aos alunos para verbalizarem os seus pensamentos e o entrevistador, sempre que pertinente, questionou-os no sentido de aprofundar a sua compreensão. Globalmente, apesar de algumas estratégias intuitivas dos alunos se revelarem um tanto limitadas, os resultados do estudo mostram que as suas ideias intuitivas têm potencial para iniciarem o estudo da Combinatória. Verificou-se ainda que, em maior ou menor grau, o desempenho dos alunos em Combinatória foi influenciado pelo tipo de operação combinatória, pelo número de elementos envolvidos na operação combinatória e pelo desempenho em Matemática. Palavras-chave: Combinatória; Estratégias intuitivas; Alunos do 9.º ano de escolaridade. 1. Introdução Actualmente, o tema de Combinatória faz parte do programa de Matemática A de 12.º ano (Ministério da Educação, 2002) e no ensino básico são-lhe feitas alusões no Currículo Nacional do Ensino Básico – Competências Essenciais (Ministério da Educação, 2001). A pouca ênfase dada a este tema no currículo escolar contrasta com a importância que lhe é atribuída para o desenvolvimento e a aprendizagem dos alunos, designadamente pela influência do raciocínio combinatório no desenvolvimento do pensamento formal (Piaget & Inhelder, s/d), por ser incontestavelmente um domínio privilegiado do ensino da matemática (Glaymann & Varga, 1975), aplicando-se nas mais variadas áreas científicas, e porque as estratégias gerais, não sendo apenas aplicáveis à Combinatória, relevam o papel que a Combinatória pode desempenhar na aprendizagem de técnicas gerais de resolução de problemas (Roa, Batanero, Godino & Cañizares, 1996). As razões referidas e o facto de ser possível ensinar com êxito alguns procedimentos combinatórios a adolescentes de 10-15 anos (Fischbein, Pampu & Mînzat, 1970) realçam a conveniência de aprofundar esta temática nos currículos escolares, especificamente no âmbito da disciplina de Matemática. Com este propósito, neste texto, abordam-se as estratégias intuitivas de Barca, A., Peralbo, M., Porto, A., Duarte da Silva, B. e Almeida, L. (Eds.) (2007). Libro de Actas do Congreso Internacional Galego-Portugués de Psicopedagoxía. A.Coruña/Universidade da Coruña: Revista Galego-Portuguesa de Psicoloxía e Educación. ISSN: 1138-1663. 1256