1 Geopolítica e projeção de poder na Amazônia: reestruturação da estratégia de defesa, reorganização dos comandos militares e remanejamento de forças Tiago Luedy 1 Milton Deiró de Mello 2 A região amazônica apresenta certas particularidades em comum que potencializam a dificuldade de estruturação da segurança e da defesa, como a porosidade das fronteiras, a baixa densidade populacional e o baixo nível de desenvolvimento. Tudo isso faz com que toda a região amazônica acabe sendo vista como uma fronteira em três sentidos: demográfico, econômico e geopolítico. Projetar poder, nessas condições, torna-se atividade dificultosa para qualquer Estado. Como espaço que necessita da presença do Estado e das Forças Armadas para afirmar a soberania nacional, projetar poder no subsistema regional e combater ilícitos transnacionais, os mais de 11 mil km de fronteiras amazônicas vêm sendo gradativamente reforçados por um conjunto de políticas que buscam reestruturar a estratégia de defesa do espaço amazônico através da reorganização dos comandos militares e do remanejamento de forças e de capacidade bélica para a região. O objetivo do presente trabalho é discutir os aspectos geopolíticos e de projeção de poder que o Estado brasileiro vem adotando na região amazônica a partir da política de 3R´s: reestruturação da estratégia de defesa, reorganização dos comandos militares e remanejamento de forças e capacidade bélica. Palavras-Chave: Amazônia Brasileira; Geopolítica; Poder. INTRODUÇÃO Desde o final da década de 30 que a integração da Amazônia com o restante do país se tornou uma preocupação do governo brasileiro. O “Discurso do rio Amazonas” do então presidente Getúlio Vargas, em 1940, já apontava a necessidade de ocupação das fronteiras brasileiras na Amazônia e a dificuldade que o vazio demográfico na região representava. Foi somente em 1953 que um verdadeiro planejamento regional foi apresentado para a ocupação territorial da Amazônia, por meio da criação da Superintendência do Plano de Valorização Econômica da Amazônia (SPVEA). Os investimentos feitos pela SPVEA na região tiveram influência direta em questões de segurança nacional, já que o controle político regional seria resultante de futuras concentrações populacionais na Amazônia. 1 Tiago Luedy Silva é professor do curso de graduação em Relações Internacionais e da pós-graduação em Defesa e Segurança no Amapá e Platô das Guianas (CEDESAP) da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), Diretor do Laboratório de Relações Internacionais e Geopolítica (LABRIGEO) e Diretor da Editora da Universidade Federal do Amapá. É mestrando em Desenvolvimento Regional pela Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), especialista em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e bacharel em Relações Internacionais pelo Centro Universitário da Bahia. 2 Milton José Deiró de Mello Neto é professor do curso de graduação em Relações Internacionais e da pós- graduação em Defesa e Segurança no Amapá e Platô das Guianas (CEDESAP) da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP) e Chefe de Operações do Laboratório de Relações Internacionais e Geopolítica (LABRIGEO). É mestre e especialista em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA).