ARTIGO ORIGINAL ___________________________________________ 1 Trabalho resultante de banco de dados obtidos na elaboração de Monografia de Graduação em Medicina da Universidade Federal do Pará - UFPA 2 Médica Psiquiatra, Professora Assistente IV da Disciplina Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Pará –UFPA 3 Médico Graduado no Curso de Medicina da Universidade Federal do Pará – UFPA SUICÍDIO ENTRE ESTUDANTES NO MUNICÍPIO DE BELÉM (2005-2006) 1 SUICIDE AMONG STUDENTS IN THE CITY OF BELEM (2005-2006) Silvia Maués Santos RODRIGUES 2 e Luiz Otávio Neves BARBALHO FILHO 3 RESUMO Objetivo: estudar a mortalidade por suicídio entre estudantes do município de Belém, Pará (Brasil), período de janeiro 2005 e dezembro 2006, identificando possíveis fatores de risco relacionados. Método: a partir dos casos confirmados de suicídio, ocorridos em 2005 e 2006, foram selecionados os que indicavam a ocupação de estudante. Realizado um estudo transversal, utilizando-se questionário padronizado para identificação dos casos. Resultados: considerando-se os 21 casos analisados, a taxa de suicídio encontrada para cada 100 mil habitantes foi de 1,01 e 0,62, anos de 2005 e 2006, respectivamente; a razão entre os sexos foi de 1,6 homem para cada mulher. A maior incidência ocorreu na faixa entre 15 e 24 anos, correspondendo a 86% dos casos. Solteiros representam 90% da amostra. A escolaridade de 86% dos casos compreende os níveis fundamental e médio. Entre os métodos utilizados, o enforcamento (52,4%) foi o mais freqüente. Os fatores de risco relacionados são humor depressivo, em 29% dos casos; conduta agressiva, em 19% dos casos; e conflitos amorosos, em 19% dos casos. Conclusões: a taxa de suicídio entre estudantes de Belém é considerada baixa em termos nacionais, acima da média municipal, destacando-se elevada prevalência de adolescentes, solteiros, com uma proporção de mulheres maior em termos globais e nacionais. DESCRITORES: suicídio de jovens, fatores de risco, métodos de suicídio, incidência, mortalidade. INTRODUÇÃO Nas últimas cinco décadas, os coeficientes de suicídio, em termos globais, cresceram em torno de 60%, com uma mudança da maior incidência entre as faixas etárias mais idosas para as mais jovens (35-45 anos e mesmo 15-25 anos em alguns lugares), ocupando lugar entre as cinco causas líderes de mortalidade de homens e mulheres 1 . Os fatores e situações de risco variam entre os continentes e de um país para outro e guardam relação com aspectos culturais e político-econômicos. A detecção de fatores de risco em dada sociedade, importa em medidas preventivas a serem adotadas nos planejamentos de saúde coletiva 1 . Os principais fatores e situações de risco apontados na literatura se referem à idade, raça, gênero, estado civil, ocupação, situação financeira, aspectos psicológicos, ambientais e culturais, estado de saúde mental e física, tentativas anteriores e histórico familiar de suicídio 1,2 . A literatura especializada considera que alguns grupos ocupacionais apresentam maior risco: veterinários, farmacêuticos, dentistas, químicos, médicos, policiais e fazendeiros, sem que haja uma explicação definitiva sobre esses achados – em que pese o fácil acesso a métodos letais, as pressões profissionais, o isolamento social e as dificuldades financeiras como fatores contribuintes 1,2 . As taxas de suicídio no Brasil são processadas pelo Ministério da Saúde, através do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM/MS), desde 1975, e são calculadas por 100 mil habitantes. Permitem uma aproximação para o seu estudo, apesar das limitações decorrentes da subnotificação, estimada em 20%, e da ausência de demais indicadores populacionais, além de idade, gênero e método suicida 3,4,5 . De acordo com as últimas estimativas oficiais de 2004, a taxa de mortalidade por suicídio no Brasil é de 4,5 para cada 100 mil habitantes – sendo considerada uma taxa geral baixa. O estado do Pará situa-se na 25ª posição, com uma taxa de 2,03; na cidade de Belém, capital do estado, a taxa reportada é de 1,30 6 . Souza et al., estudando o suicídio entre jovens nas principais capitais do país, relatam para Belém, taxas que variam entre 3,2 e 11,4, período entre 1979 e 1998, na faixa etária de 15 a 24 anos. A cidade apresenta, junto com as capitais Curitiba e Porto Alegre, as maiores taxas encontradas. Os autores sugerem que a cidade de Belém deveria ser objeto de estudos especiais por sua proximidade e influência da cultura indígena, visto que têm sido identificados entre os jovens indígenas índices elevados de suicídio 7 . Em sua análise sobre o suicídio na cidade de Belém, Rodrigues et al. observam que as taxas de suicídio sofreram uma ligeira queda nos anos de 2005 e 2006 para 3,05 e 2,50, respectivamente. Porém, reportam taxas elevadas em faixas etárias jovens e baixa entre os idosos, acompanhando uma tendência contemporânea mundial. Essa tendência se reflete também no que diz respeito à escolaridade – cerca de