1 A estética política do ativismo através de novas mídias Meg Stalcup Em 13 de junho de 2013, um jornalista, cobrindo protestos na cidade de São Paulo, foi preso por porte de vinagre, que ele carregava para aliviar os efeitos do gás lacrimogêneo. Embora ele tenha sido libertado algumas horas mais tarde, vários memes já tinham se espalhado, tais como o movimento “V de Vinagre” ou, alternativamente, “A Revolta da Salada”. Ao longo dos dois meses seguintes, protestos levaram milhões de brasileiros às ruas, em números não vistos desde os dias que precederam o impeachment do presidente Fernando Collar de Mello em 1992. Neste capítulo, analisa-se a documentação visual dos protestos de 2013, contrastando a cobertura da grande mídia em São Paulo e Rio de Janeiro com a de ativistas usando as tecnologias de nova mídia. Os temas centrais são a forma como o exercício do poder político é mediado através de novas tecnologias de mídia e a racionalidade política que anima os ativistas. Dito de outro modo, pergunta-se: por que os atores criaram imagens da forma que o fizeram e que objetivos políticos estavam em jogo? No que se segue, consideram-se principalmente as utilizações de filmagens feitas à mão com telefone celular, a difusão de tais imagens pelas redes sociais (mídia social) e a interação entre os ativistas e os governos municipais. Sugere-se que as novas tecnologias de mídia, através da qual a linguagem visual dos ativistas foi criada, eram postas a serviço de um tipo de política radical, no sentido de almejar algo diferente na raiz. Em vez de um modo de ação política com objetivos governamentais definitivos, os ativistas re-mediaram novas tecnologias de mídia como um tipo de equipamento que poderia gerar novas relações e subjetividades e, assim, acesso a um futuro intencionalmente indeterminado. 1 A remediação das novas mídias John Thompson (2005) fornece uma tipologia de interações características das novas tecnologias de mídia que, embora não exaustiva ou indiscutível, contém um conjunto de distinções úteis. Encontros cara a cara, sugere ele, devem ser tomados como marco zero. Eles são caracterizados por especificidade interpessoal e diálogo (diálogo sendo, nesse caso, a possibilidade de comunicação bidirecional). No próximo nível são interações mediadas, como uma carta ou uma conversa telefônica. Estes “[...] envolvem o uso de um meio técnico para Citar como: STALCUP, M. A estética política do ativismo através de novas mídias. In: OLIVEIRA, M. P. D. e WARREN, J. (Ed.). Miradas sobre o Brasil: cultura, arte e poder. Salvador, Bahia: Editora da Universidade Federal da Bahia, 2016. p.13-33.