PRAGMÁTICA: POLIDEZ E VIOLÊNCIA NO BRASIL Jair Antonio de Oliveira 1 RESUMO: Em um levantamento realizado nos arquivos de teses e dissertações da Coordenação de Pessoal de Ensino Superior (CAPES), constatei que a maioria das pesquisas que abordam a polidez linguística no Brasil segue os mesmos referenciais teóricos estrangeiros. Também foi possível observar que as pesquisas brasileiras que usam as teorias elaboradas em outras culturas e práticas sociais não conseguem descrever ou explicar de um modo satisfatório qual é o entorno moral e político que a polidez tem em nosso país; particularmente, nos usos linguísticos das pessoas que pertencem às camadas sociais menos privilegiadas economicamente e colocadas “à margem” do consumo. Nesta perspectiva, pretendo usar as ideias de “cordialidade”, “jeitinho brasileiro” e “mestiçagem” para demonstrar que a polidez e a violência são características políticas relevantes para a polidez tupiniquim, especialmente nas “vozes” das pessoas excluídas socialmente no Brasil. PALAVRAS-CHAVES: Pragmática; polidez; violência ABSTRACT: In a survey conducted in the archives of dissertations and theses in the Department of Personnel of Higher Education of Brazil (CAPES) I noticed that most of the researches on linguistic politeness in Brazil follows the same theoretical foreigners. I also noticed that the Brazilian research using the theories developed in other cultures and social practices can not describe or explain satisfactorily what is around the moral and political politeness have in our country, particularly in the use of language of the people belonging to less privileged social layers and economically placed "outside" of consumption. With this in mind, I plan to use the ideas of "friendliness", "Brazilian way" and "miscegenation" to demonstrate that politeness and violence are characteristic policies relevant to tupiniquim politeness, especially in the "voices" of the socially excluded in Brazil. KEYWORDS: Pragmatic; politeness; violence 1. Introdução Este artigo é uma parte do projeto de pesquisa sobre a polidez linguística no Brasil e tem como ponto de partida a heterogeneidade de crenças e intenções individuais e os hábitos culturais e práticas sociais diferenciadas de várias comunidades de fala escolhidas aleatoriamente. Ou seja, o locus da investigação não está restrito a uma determinada região e nem a um grupo étnico em particular, faixa etária, sexo ou grau de escolaridade, mas, especificadamente, voltado a grupos periféricos, seja por razões econômicas e/ou ideológicas. Metodologicamente, trata-se de uma pesquisa onde a observação participante é fundamental para a criação de hipóteses e, ao mesmo tempo, para a comprovação e ressignificação de dados já levantados por outras investigações. Processualmente, resulta de diálogos e interações, com ou sem a participação direta do autor, em dezenas de cidades brasileiras ao longo dos anos e em diferentes situações comunicativas públicas. A principal motivação para esta análise foi a constatação de que as pesquisas acadêmicas que abordam a polidez linguística no Brasil , invariavelmente, têm os mesmos referenciais teóricos: Brown e Levinson (1978, 1987), Goffman (1959, 1967), 1 Professor Associado II na Universidade Federal do Paraná (UFPR). E-mail: jairoliveira3@ufpr.br