ISSN 2238-0205 58 Notas e ReseNhas Anotações de leitura, um convite para ler a tradução de “O homem e a terra” de Eric Dardel Geograicidade | v.2, n.2, Inverno 2012 ANOTAÇÕES DE LEITURA, UM CONVITE PARA LER A TRADUÇÃO DE “O HOMEM E A TERRA” DE ERIC DARDEL DARDEL, Eric. O Homem e a terra: natureza da realidade geográica. (Tradução Werther Holzer) São Paulo: Perspectiva, 2011. 159p. ISBN 978-85-273-0924-0 Almir Nabozny 1 1 Geógrafo, doutorando no Programa de Pós-Graduação em Geograia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Professor Assistente A na Universidade Estadu- al de Ponta Grossa (UEPG). almirnabozny@yahoo.com.br. Av. Carlos Cavalcanti, n. 4748. 84030-900. Ponta Grossa, PR. Um pequeno approach Eu reconheço a existência de uma geograia autônoma a qual eu não mais aprecie valor e interesse: contém não somente uma ilosoia, como qualquer ciência digna desse nome, mas é quase, por si só, uma ilosoia do homem no mundo 2 . Camille Vallaux (1929) não é fácil romper a pedra do túmulo e aconchegar-se na terra úmida do fundo. Hélio Ferreira (2011) Descortinamos esse texto emprestando algumas palavras que nos remetem a uma “ilosoia geográica”, a uma poesia telúrica e existencial que colhe da relação Homem e Terra/terra sua matéria- prima para, posteriormente, constituí-la como metáfora, nomeação que propicia sentidos. Com essa concessão, tracejamos algumas das possibilidades que o leitor encontrará ao ler “O Homem e a Terra”, de Eric Dardel, e com isso nos eximimos de uma escorregadia tentativa de síntese ou uma classiicação dessa obra rebelde às taxionomias. Nosso propósito é o registro de uma leitura e um convite para que mais pessoas se deixem contagiar por esse pequeno-grande livro que faz jus à tradição dos diminutos frascos dos melhores perfumes franceses. O leitor tem em mãos uma tradução de um livro publicado originalmente há cerca de sessenta anos na França (1952) – sem, no entanto, tratar-se de tradução tardia. Há sinais na literatura brasileira 2 Original: Je reconnais l’existence d’une géographie autonome dont nul plus que moi n’ap- précie la valeur et l’intérêt: non seulement elle contient une philosophie, comme toute science digne de ce nom, mais elle est presque, en elle-même, une philosophie du monde de l’homme.