A memória na ficção seriada televisual 1 ROSÁRIO, Nísia Martins do (Doutora) 2 COCA, Adriana Pierre (Doutoranda) 3 Universidade Federal do Rio Grande do Sul/RS Resumo: O presente artigo discorre sobre o papel da memória na constituição da teledramaturgia. Nosso principal aporte teórico-metodológico é a Semiótica da Cultura (SC) na confluência com a narrativa de ficção. Partimos de um levantamento de técnicas narrativas enraizadas nas matrizes clássicas de escrever histórias ficcionais para TV, sobretudo, as características herdadas do melodrama e do folhetim (MACHADO, 2009, 2011; MARTÍN-BARBERO, 2006, 2009; PALLOTTINI, 2012; THOMASSEAU, 2005). Essa trajetória nos ajuda a entender o papel da memória dos sistemas culturais (LOTMAN, 1996, 1998, 2000) na composição da ficção seriada de televisão, sobretudo da telenovela, considerando a cultura como uma memória coletiva, por incorporar a historicidade dos sistemas de signos. Conclui-se que a ficção seriada televisual contemporânea é um texto que traz à tona a reconfiguração nos modos de se produzir e narrar próprios da era da comunicação digital constituindo-se na atualização em processos graduais e explosivos (LOTMAN), mas, sobretudo, essas mesmas narrativas se mantêm ancoradas na linguagem clássica de contar histórias. Palavras-chave: teledramaturgia; ficção seriada; memória; semiótica da cultura. Introdução – o contexto do objeto Sabemos que a televisão tem uma função social de destaque. Na América Latina, é o meio de comunicação de maior acessibilidade em muitos países, presente em 96% dos lares brasileiros, 97% no Chile e 99% no Peru, segundo informações do Ibope Media 4 . Nesse contexto, a ficção seriada ocupa 19% da grade de programação das principais emissoras abertas no Brasil 5 , ou seja, as narrativas ficcionais televisuais são um meio de expressão e significação importante na cultura brasileira, mesmo diante da velocidade com que as mídias digitais remodelam os modos de se comunicar. 1 Trabalho apresentado no GT de História da Mídia Audiovisual e Visual no 10º Encontro Nacional de História da Mídia, 2015. 2 Professora e pesquisadora do PPG em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, doutora em Comunicação Social (PUC/RS). Membro dos Grupos de Pesquisa Gpesc – Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação e Processocom E-mail: nisia@corporalidades.com.br / www.corporalidades.com.br. 3 Bolsista da CAPES/DS. Doutoranda do PPG em Comunicação e Informação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mestra em Comunicação e Linguagens (UTP). Membro dos Grupos de Pesquisa Gpesc – Grupo de Pesquisa Semiótica e Culturas da Comunicação e Processocom. E-mail: pierrecoca@hotmail.com 4 Informações disponíveis em:<http://www.ibope.com.br/pt-br/noticias/Paginas/TV-aberta-segue-como-o-meio-de- maior-penetracao-na-America-Latina.aspx>. Acesso em: 30.04.2015 às 14h58. 5 No Brasil, são seis redes nacionais de televisão aberta (Globo, Record, SBT, Bandeirantes e Rede TV, privadas, e a TV Brasil, pública). Com exceção da Rede TV, todas as outras produziram e exibiram programas de ficção em 2012, segundo dados do Anuário Obitel – Observatório Ibero-americano de Ficção Televisiva de 2013.