Universidade Estadual de Campinas - UNICAMP Instituto de Artes – Comunicação Social: Midialogia CS 401 - Teorias do Cinema Professor: Pedro Maciel Guimarães Franco Araujo Simões - RA: 135766 A Polifonia no Cinema: Um estudo do uso de Split-Screen em Nymph()maniac 1. Introdução O seguinte artigo tem como objetivo estabelecer uma reflexão acerca das influências de aspectos formais - sobretudo enquadramento e som - sobre a construção semântica do texto fílmico, buscando uma compreensão do uso de Split-Screen como ferramenta narrativa que dá ao próprio quadro do filme um potencial simbólico e comunicativo diferenciado. Para tanto, será desenvolvida uma análise do capítulo 5 (The Little Organ School) do filme Nymph()maniac (2013) utilizando como lentes conceituais os estudos do teórico e cineasta soviético Sergei Eisenstein. O artigo partirá, então, de uma breve contextualização dos conceitos de matéria prima (“raw material”) e montagem elaborados por Eisenstein, relacionando-os com o Split-Screen para, por fim, analisar como a interação dos elementos formais funciona no desenvolvimento da narrativa. 2. Contextualização 2.1 Matéria Prima e Montagem Para Eisenstein, a matéria prima (raw material) do cinema não consiste no plano, conforme defendia Pudovkin, mas naquilo que o autor denomina Elementos Formais - como luz, sombra, movimento, enquadramento, gestos dos atores, som, objetos de cena, entre outros. Mesmo que representados simultaneamente ao espectador, cada um desses elementos seria autônomo em significado, e seria em sua manipulação que o diretor deveria trabalhar para desenvolver sua obra. Partindo então das ideias de neutralização - “The process of thus decomposing reality into usable blocks or units” (ANDREW, 1976; 46) - e de cinema de atrações - no qual “each element functions like a circus attraction, different from the other attractions at