XXVI Congresso da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Música – B. Horizonte - 2016 Análise de Fumeux fume par fumée de Solage: uma breve aproximação entre Ars Subtilior e Madrigal MODALIDADE: COMUNICAÇÃO SUBÁREA: TEORIA E ANALISE MUSICAL Victor Martins Pinto de Queiroz Instituto de Artes da UNESP – victor.queiroz91@gmail.com Mauricio Funcia De Bonis Instituto de Artes da UNESP – debonis@ia.unesp.br Resumo: Esse trabalho propõe uma análise contrapontística da obra Fumeux fume par fumée, de Solage, buscando apontar as especificidades do contraponto medieval ao mesmo tempo em que esclarece as particularidades do período posterior à Ars Nova, a Ars Subtilior, propondo um registro de suas semelhanças com o madrigal renascentista na exacerbação do cromatismo. Palavras-chave: Ars Subtilior. Contraponto medieval. Cromatismo. An analysis of Fumeux fume par fumée by Solage: a brief approximation between Ars Subtilior and Madrigal Abstract: This paper proposes an analysis of the counterpoint in Fumeux fume par fumée by Solage, pointing out the specific procedures of medieval counterpoint and at the same time making clear the characteristics of the period that follows the Ars Nova, Ars Subtilior, registering its similarities with the renaissance magridal in their exacerbation of chromaticism. Keywords: Ars Subtilior. Medieval counterpoint. Chromaticism. 1. Introitus A peça Fumeux fume par fumée, de Solage, se costuma enquadrar pelos historiadores num dado e breve momento histórico interposto à Idade Média e ao Renascimento musicais. Os limites desse período têm dado origem a um novo debate, tal a profusão de um repertório distinto e da denominação que o acompanha: a Ars Subtilior. A autora responsável pela sugestão do nome (GÜNTHER, 1963) encontra a feliz coincidência entre datas significativas na histórica política medieval e na história da música. O maior compositor da Ars Nova, Guillaume de Machaut, falece em 1377. O período de transição a que ela associa a nomenclatura Ars Subtilior coincidiria, ao mesmo tempo, com a produção imediatamente posterior à morte de Guillaume de Machaut e com o Grande Cisma da Igreja Católica, dividida entre Roma e Avignon de 1378 a 1417. Em um extenso levantamento desse repertório em busca de sua caracterização mais precisa como uma produção distinta e homogênea o suficiente para justificar sua separação em outro período histórico (e em um tão breve), Smilansky (2010) propõe uma expansão desses limites, compreendendo a Ars Subtilior entre 1360 e 1440, aproximadamente. Do