Paralelos entre design gráfico e arte contemporânea a partir do estudo de peças gráficas não-convencionais. Prof. Dr. Hugo Fortes Professor Doutor na Escola de Comunicações e Artes da USP hugofortes@usp.br Resumo O trabalho apresenta uma investigação sobre alguns pontos de contato e procedimentos comuns à arte contemporânea e ao design. O objeto principal do estudo são peças gráficas não-convencionais, que utilizam elementos lúdicos, interativos e sinestésicos estimulando os diferentes sentidos da percepção humana. Através de um paralelo com a arte contemporânea, busca-se a compreender a importância do material como elemento semântico na constituição da linguagem visual, bem como as relações entre bidimensionalidade e tridimensionalidade na interação ativa com o receptor. A partir do início da década de 1980, tem-se notado o aparecimento de novas peças gráficas de objetivo publicitário, que apresentam maior interação sensorial com o receptor, através da utilização de materiais inusuais, novos procedimentos gráficos, formatos e dobras especiais e inserção de elementos tridimensionais. O esgotamento da publicidade tradicional, principalmente aquela enviada pelo correio, caracterizada como mala-direta, levou à necessidade de criação de peças com apelos mais lúdicos e sensoriais, envolvendo o consumidor em uma postura mais ativa e participante, e não apenas receptiva. Os apelos destas peças baseiam-se não apenas na junção de um texto persuasivo com uma imagem atraente, mas seduzem o consumidor de forma mais interativa, estimulando os outros sentidos perceptivos além da visão. Em termos técnicos, ao invés da tradicional utilização de papel couché retangular impresso em offset, estas peças apresentam novas possibilidades como: papéis reciclados, texturizados ou artesanais, outros materiais como tecidos ou plásticos, facas especiais que proporcionam formatos diferenciados com tendência a tridimensionalidade, métodos de impressão menos comuns como silk-screen, hotstamping, relevo, entre outros, ou até mesmo a inserção de objetos ou aplicações artesanais. Os níveis de diferenciação destas peças peças variam, podendo-se encontrar peças mais simples e bidimensionais, cuja diferenciação se dá pelo material ou método de impressão empregado, ou mesmo peças mais complexas, como aquelas em que a tridimensionalidade é ressaltada pela inserção de um objeto. Em minha dissertação de mestrado, concluída em 2000, pude analisar com maior profundidade estas peças, cunhando o termo mala-direta-objeto para identificar as que tinham características tridimensionais. Na ausência de um referencial teórico voltado para o estudo destas peças, busquei traçar um paralelo entre a ruptura dos padrões tradicionais de produção de impressos e a ruptura dos suportes tradicionais da arte, que ocorreu principalmente a partir da década de 1960. Embora a arte e o design gráfico tenham objetivos diferentes, ambos utilizam procedimentos criativos semelhantes e se auto-contaminam reciprocamente. Se até a primeira metade do século XX, a