doi: 10.5007/1808-1711.2016v20n2p239 A TÉ ONDE V AI O MEME: O PROBLEMA DA UNIDADE E O PROBLEMA DA ONTOLOGIA GUSTAVO LEAL-TOLEDO MATEUS MACHADO PINTO DE ALMEIDA Abstract. Since it was first proposed, Memetics had to deal with a variety of criticism. This article discusses two of them, namely, the problem of meme unit and the problem of meme ontology. In both cases the answer to the type of problem raised will follow the same reason- ing: to show that much of the criticism could also be made to evolutionary biology, especially in its origins, and show that finished answers are not necessary to allow us to develop re- search in memetics. Keywords: Memetics; meme unit; meme ontology; Richard Dawkins; Philosophy of Biology. A tentativa de desenvolver uma ciência dos memes, a memética, comumente esbarra em uma série de problemas conceituais e epistemológicos não solucionados que se não impendem ao menos desestimulam o seu desenvolvimento. Muitas críticas po- dem ser levantadas, mas seria impossível tratá-las todas aqui. Tendo isso em vista, o presente trabalho visa apresentar e discutir duas destas críticas, que foram escolhidas por estarem entre as críticas mais comuns que são apresentadas, a saber: o problema da unidade dos memes e o problema ontológico. Outras críticas foram tratadas em outros textos, que serão referenciados no decorrer deste artigo, e também em tese acadêmica. Pretende-se, então, apresentar estes dois problemas e sugerir não só uma possível resposta, mas principalmente, indicar que a memética pode ser desenvolvida independente de termos uma resposta definitiva para estas questões. Foi para deixar mais intuitiva a idéia de que a evolução independe do substrato que Dawkins criou, no último capítulo de seu livro O Gene Egoísta, o conceito de meme. Um meme pode ser compreendido como uma unidade de cultura, um com- portamento ou uma idéia que pode ser passado de pessoa para pessoa através da imitação. Existe uma grande discussão sobre se os memes podem ser passados só por imitação ou se podem ser passados por outras formas de aprendizado social. Mas o importante é que eles são copiados de indivíduo para indivíduo. Ele seria o que Dawkins (2001, p.215) chamou de “replicador” e “sempre que surgirem condições nas quais um novo tipo de replicador possa fazer cópias de si mesmo, os próprios re- plicadores tenderão a dominar”. Deste modo, o meme é o análogo cultural do gene. Mas o filósofo da biologia David Hull (2000, p.46) nos diz que não devemos pensar na seleção memética como análoga à seleção genética e sim que as duas formas de seleção são exemplos de um conceito mais fundamental de seleção. Principia 20(2): 239–254 (2016). Published by NEL — Epistemology and Logic Research Group, Federal University of Santa Catarina (UFSC), Brazil.