Em: Revista Património, nº 3. Lisboa: Casa da Moeda / Direcção Geral do Património Cultural, Março 2015. 1 O pioneirismo de Cabeça Padrão na salvaguarda do património e imagem urbana histórica do Algarve José Aguiar Professor associado, CIAUD –Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa Vítor Ribeiro Doutorando, CIAUD –Faculdade de Arquitectura da Universidade de Lisboa Miguel Reimão Costa Professor auxiliar, CEAACP/CAM - Universidade do Algarve RESUMO A salvaguarda da paisagem urbana histórica é hoje um tema dos mais actuais e dos mais complexos na discussão da teoria e da praxis da conservação. A UNESCO proclamou uma recomendação a este propósito (em 2011) e o ICOMOS está a tenta redigir, já há mais de uma década, uma carta de referência – diga-se que sem conseguir os consensos necessários, tantos são os desacordos conceptuais resultantes da disparidade dos olhares disciplinares que sobre este assunto incidem. No fim dos anos 60 Portugal foi um dos primeiros países do Mundo a institucionalizar dentro da sua gestão urbanística, práticas de estudo e planeamento da paisagem urbana e rural. Ilídio de Araújo é um dos grandes pioneiros destes primeiros estudos mas a história esqueceu o contributo de Joaquim Cabeça Padrão que, na então Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização (DGSU), coordenou o estudo de Prospecção e defesa da paisagem urbana do Algarve, propondo a valorização da paisagem urbana histórica de toda uma região que sofria processos de profunda transformação, instaurando um modelo que gradualmente seria extensível a todo o país. Do restauro dos monumentos à salvaguarda da cidade A emergência do conceito de património urbano foi o resultado de um prolongado debate sobre os valores da cidade tradicional (i.e. antes do Moderno). Nos anos 60, na Europa, países como a Inglaterra, com o estabelecimento das “Conservation Areas”, e a França, ao publicar a pioneira Loi Malraux em 1962 (que estabeleceu os planos de ”mise en valeur” de “secteurs sauvegardés”), introduzem metodologias de conservação já não apenas de monumentos mas de extensivas áreas com relevante valor enquanto património urbano. Em Portugal a segunda metade de década de 1960 foi um momento decisivo, neste processo, com o aparecimento de três iniciativas distintas para a conservação de património urbano: (i) o Estudo das zonas ou unidades urbanas de carácter histórico-artístico em Lisboa, de José Augusto França, delimitando e redesenhando “zonas privilegiadas para preservação” estabelecidas no Plano