GEOMORFOLOGIA COSTEIRA E RISCOS: DIFERENTES ABORDAGENS, CONTRIBUIÇÕES E APLICABILIDADES LINS-DE-BARROS, F. M. 1 & BULHOES, E.M.R. 2 1 Doutoranda (flaviamlb@br.inter.net) 2 Mestrando (eduardo_bulhoes@ufrj.br) Laboratório de Geografia Marinha da UFRJ Cidade Universitária da Ilha do Fundão, IGEO / Programa de Pós-Graduação em Geografia - PPGG. Cep: 21941-590. Rio de Janeiro, RJ. RESUMO Independente das diferentes definições adotadas, o termo risco está sempre associado à probabilidade de determinado perigo gerar danos à sociedade (GIDDENS, 1991; LINS-DE-BARROS, 2005; BULHOES, 2005). Na geomorfologia costeira o estudo de risco é geralmente associado ao perigo das ondas ou das correntes e engloba questões como elevação do nível do mar, erosão costeira, inundações e afogamentos. O presente trabalho tem como objetivo discutir as diferentes abordagens, contribuições e aplicabilidades da geomorfologia costeira para o estudo do risco, através da análise de três estudos de caso. Ressalta-se a necessidade de ultrapassar a abordagem catastrofista, buscando uma perspectiva mais complexa, que considere as diferentes escalas espaço-temporais dos fenômenos e integre as questões sociais e ambientais associadas. Foram escolhidos para discussão os seguintes estudos de caso: 1) erosão costeira no município de Maricá (LINS DE BARROS, 2005); 2) risco de afogamentos nas praias oceânicas da cidade do Rio de Janeiro (BULHÕES, 2005); 3) sensibilidade dos ambientes costeiros à derrames de óleo (ARAUJO et al., 2006) O primeiro destaca a importância de integrar os parâmetros geomorfológicos relacionados a vulnerabilidade potencial, como o clima de ondas e a evolução da linha de costa, aos parâmetros de instabilidade local, como a presença de dunas e a morfodinâmica, para obtenção de grau de vulnerabilidade física do litoral. A combinação deste último às características urbanas e dos danos definiu as áreas críticas e de risco potencial para planejamento. O segundo estudo utiliza parâmetros como espaçamento de correntes na zona de surfe, mobilidade do fundo marinho e clima de ondas para classificação da praia quanto às condições de mar perigosas aos banhistas. As condições oceanográficas encontradas associadas ao número de banhistas, faixa etária, gênero e procedência habitacional, resultará na identificação de diferentes níveis de segurança e risco. O terceiro estudo resultou na definição e mapeamento do índice de sensibilidade à derrames de óleo através da classificação dos ambientes costeiros quanto ao grau de exposição, permeabilidade e energia das ondas. A discussão destes três estudos revelou diferentes abordagens em relação à noção de risco e seus conceitos associados, às escalas espaço-temporal adotadas, e aos parâmetros geomorfológicos selecionados. Torna-se claro que a geomorfologia não se limita, como se costuma afirmar, à abordagem de catástrofes naturais em escala temporal instantânea. Ao contrário, diferentes perspectivas, metodologias e objetivos podem estar presentes, permitindo abordar tanto os riscos naturais como os sociais e tecnológicos e em escalas que vão desde o risco de rotina até o risco potencial ou futuro.