REAPROXIMAÇÕES À TECNOLOGIA Artur Simões Rozestraten In: ONO, Rosaria; DUARTE, Denise; PALLAMIN, Vera et all (Org.). AUT 50 Anos 1964- 2014. Uma reflexão sobre o passado e o presente para uma visão do futuro. São Paulo: FAUUSP, 2015. ISBN 978-85-8089-070-9 As reflexões que seguem foram estimuladas pela data em que se completam 50 anos do Departamento de Tecnologia da FAUUSP, em 2014. São formulações pessoais, em elaboração, que tem um caráter de indagação, de interrogação, e que se expõem aqui pretendendo estimular outras reflexões e diálogos, com colegas, profissionais, professores e alunos no âmbito da FAU e da sociedade dedicada às questões em pauta. Refletir sobre um percurso histórico habitualmente estimula também a formulação de proposições para os próximos anos, o que, aliás, é próprio de nossa atividade no âmbito do planejamento e do projeto e, sabemos, tem uma natureza especulativa que sustenta, ainda assim - com a precariedade própria de tudo que lida com conteúdos imprevisíveis -, nossas ações futuras. Quanto à poética Distorções e desentendimentos quanto à natureza da Técnica e, consequentemente, da Tecnologia, não são uma exclusividade do mundo contemporâneo. No diálogo “O Banquete” (c. 380 a.C.), Sócrates e Diotima discutem as distorções perceptíveis já na própria cultura grega clássica quanto ao entendimento da Poesia e, por decorrência, da Técnica e Tecnolgia. A amplitude do termo poesia - que deveria abranger todas as atividades de todas as artes e caracterizaria como poeta todo artífice – havia sido restrita então “à música e à métrica”. Indevidamente, conforme os filósofos, visto que Poesia é “toda ação que promove a passagem do não-ser ao ser”. Tal passagem pode se dar em gêneses originais – como a pintura que passa a existir em uma parede na medida de uma ação humana – ou como transformação na apreensão e entendimento de pré-existências naturais ou culturais. Ambos são propositivos, mas o primeiro propõe uma forma plástica sensível nova, e o segundo propõe – sobre uma