Uma Análise Espacial Exploratória dos Fluxos Populacionais Brasileiros nos Períodos 1986-1991 e 1995-2000 José Irineu Rangel Rigotti 1 Idamila Renata Pires Vasconcellos 2 1. Introdução Os resultados dos censos demográficos brasileiros têm permitido um conhecimento detalhado das características dos migrantes, do papel que a migração exerce no crescimento populacional de localidades em várias escalas geográficas, bem como das áreas de origem e destino dos fluxos. No entanto, algumas técnicas de análise espacial ainda podem ser exploradas para complementar o estudo da distribuição espacial dos fluxos de população. Em um país com as extensões territoriais do Brasil, torna-se fundamental a visualização clara dos clusters de atração e repulsão populacionais, bem como dos fluxos de população. A identificação de padrões espaciais e testes de algumas hipóteses para a explicação da distribuição da população brasileira é o objetivo principal deste artigo. Em uma primeira análise exploratória, procurar-se-á identificar as principais áreas de atração e repulsão demográficas nos níveis municipal e regional. A hipótese subjacente é a de que as regiões metropolitanas continuam sendo as principais definidoras do processo migratório, até porque são áreas que apresentam uma grande base populacional. O papel das metrópoles na (re)distribuição espacial da população tem sido objeto de estudo de vários demógrafos, como Cunha (1994), Matos (1995), e Rigotti e Vasconcellos (2003), para citarmos apenas alguns exemplos. Uma análise preliminar do crescimento demográfico no período 1991-2000 revelou que uma categoria particular de municípios – aquela com população entre 500 mil e 1 milhão de habitantes – apresentou um incremento demográfico muito acima da média brasileira (Rigotti e Abreu, 2003). A partir do mapeamento destes resultados constatou-se que a recente desconcentração demográfica do país é relativa, uma vez 1 Professor do Programa de Pós-graduação em Tratamento da Informação Espacial da PUC-Minas. 2 Mestre em Geografia pelo Programa de Pós-graduação em Tratamento da Informação Espacial da PUC-Minas. 1