ISSN 0102-5716 Vet. e Zootec. 2011 dez.; 18(4 Supl. 3): IX Congresso Brasileiro Buiatria. 04 a 07 de Outubro de 2011. Goiânia - Goiás, Brasil. 667 AVALIAÇÃO DA TOXICIDADE GASTRINTESTINAL DAS FOLHAS DE ALGAROBA (Prosopis juliflora) PARA CAPRINOS Dalton Lívio Nunes de Carvalho 1 Antônio Carlos Lopes Câmara 2 Luciana Dalcin 2 Benito Soto-Blanco 3* Palavras-chaves: caprinos, folhas frescas, plantas tóxicas, Prosopis juliflora. GASTROINTESTINAL TOXICITY EVALUATION OF MESQUITE (Prosopis juliflora) LEAVES FOR GOATS ABSTRACT This paper aimed to evaluate the gastrointestinal toxicity of mesquite leaves for goats. Two male crossbred goats were used. During the first step of the experiment, fresh leaves were offered ad libitum during three days. In the second step goats, were treated with a single dose of 32g/kg of ground fresh leaves by gavage. None of the goats showed any signs of toxicosis and remained within physiologic parameters for the specie including no fecal alterations. Our results showed that fresh mesquite leaves are not toxic for goats; however, the low acceptability by the animals could be due the low palatability or the presence of one or more substances that limits the consumption of fresh mesquite leaves. Keywords: fresh leaves, goats, Prosopis juliflora, toxic plants. INTRODUÇÃO Prosopis juliflora (algaroba ou algarobeira) foi introduzida no Brasil no Estado de Pernambuco, na década de 1940, a partir de sementes oriundas do Peru. Desde então, devido à combinação de baixos custos, alta palatabilidade e valores nutricionais, principalmente das vagens, estas vêm sendo usadas como suplemento ou parte integrante de rações na alimentação de diversas espécies de animais domésticos, dentre elas, codornas, galinhas poedeiras, equinos, suínos, peixes e ruminantes. Além disso, também tem sido utilizada para o consumo humano, como pães, biscoitos e doces (1,2,3,4). A ingestão das vagens da algarobeira tem sido reconhecida, no Nordeste do Brasil, como causa de uma doença de bovinos que tem o nome popular de “cara torta” devido ao desvio lateral de cabeça que o animal realiza para manter o alimento na boca durante a mastigação (5). No Brasil, a doença foi descrita em bovinos no Rio Grande do Norte (6), Paraíba e Pernambuco (5,7), e em caprinos na Paraíba (8). No Sertão dos Inhamuns, Estado do Ceará, alguns proprietários relataram que a ingestão de folhas frescas de algaroba, oferecidas durante o período de estiagem, promoveu intoxicação em caprinos, caracterizada por distúrbios digestivos (diarréia profusa), com alguns casos de óbitos (9). No entanto, este tipo de intoxicação ainda não foi estudado. Assim, o presente trabalho tem como objetivo, avaliar a toxicidade gastrintestinal de folhas frescas de P. juliflora na alimentação de caprinos. 1 Discente do Curso de Medicina Veterinária, (DCA), Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA). 2 Hospital Veterinário Jerônimo Dix-Huit Rosado Maia, UFERSA. Av. Francisco Mota 572, Presidente Costa e Silva, Mossoró, RN, CEP: 59.625-900. *Autor para correspondência: bsotoblanco@yahoo.com.br. 3 Docente do Curso de Medicina Veterinária, Departamento de Ciências Animais, UFERSA.