Herstory, a história dela: Kathleen Hanna e o início do movimento Riot Grrrl GELAIN, Gabriela 1 LAGE, Rafael 2 Resumo: A musicista Kathleen Hanna, figura central do movimento punk feminista Riot Grrrl, também é uma das principais referências no ativismo da Terceira Onda Feminista. Apostou em bandas femininas e feministas como um instrumento para uma mudança cultural e social para além dos palcos nos Estados Unidos. O objetivo do artigo é examinar a figura de Kathleen Hanna, desde suas primeiras motivações para dar início ao movimento Riot Grrrl na década de 1990, sobre qual também surge uma nova fase do feminismo, após o surgimento de sua banda Bikini Kill. A metodologia empregada será voltada para movimentos online com a análise do documentário The Punk Singer (ANDERSON, 2013), disponível na plataforma Youtube, como fonte hegemônica, como objeto de estudo e narrativa ao longo do texto, além do encontro de outros dados biográficos, obtidos junto a outras fontes na Internet. Palavras-chave: riot grrrl; feminismo; biografia. INTRODUÇÃO “Eu tive uma banda cover de AC/DC com duas garotas, e um dos caras disse que nós não poderíamos tocar bem. Dois anos depois, a banda dele abriu para a minha nova banda”. A platéia da Old Dominion University ri. Este é um trecho de uma das palestras da ativista feminista Kathleen Hanna disponíveis no YouTube 3 . Ícone do movimento Riot Grrrl, a musicista fala cerca de treze minutos no vídeo: uma aula sobre fanzines, feminismo, punk rock, sub(cultura) dos anos 90, rebeldia, música. Todos os temas em uma só história (ou herstory - a história dela). Com um tom um tanto biográfico, optamos como ponto de partida uma espécie de etnografia virtual 4 da vida de Hanna através do documentário The Punk Singer (2013), disponível no Youtube (Imagem 1), além de outros vídeos de canções, letras e artigos disponíveis online. 1 Mestranda em Ciências da Comunicação pela UNISINOS. Grupo de pesquisa Cultpop. gabrielagelain@gmail.com 2 Doutorando pelo Programa da Pós-graduação em Comunicação da UFF. rafalage77@gmail.com 3 https://www.youtube.com/watch?v=NcmIjU2dR-E Herstory Repeats: Kathleen Hanna. Acesso em 21/09/2016. 4 Do ponto de vista metodológico, optamos pela metodologia virtual (FRAGOSO, RECUERO E AMARAL, 2011), enquanto pesquisadores insiders, pois ambos estamos envolvidos diretamente com o movimento Riot Grrrl no Rio Grande do Sul (Gabriela) e no Rio de Janeiro (Rafael). Segundo Hodkinson (2005), estudioso das sub(culturas) juvenis, ser insider é um conceito não absoluto intencionado para designar situações caracterizadas por um grau de proximidade do pesquisador e o seu tema de pesquisa, onde há uma inserção de elementos autobiográficos e um conhecimento mais aprofundado na cultura observada.