Fragmentos, número 33, p. 121/137 Florianópolis/ jul - dez/ 2007 121 Marcus De Martini Universidade Federal de Santa Maria marcusdemartini@yahoo.com.br John Donne: considerações sobre vida e obra Abstract: This article aims at presenting some information about the life of the English poet John Donne (1572-1631) as well as relating it to his writings. So Donne’s works are presented since his Satyrs, work of his youth, to his Sermons, a result of his artistic maturity, also mentioning his amatory and religious poetry. In the analysis of some of his works, Donne’s most peculiar stylistic resources are highlighted, such as the concept of wit. Eventually, the reception given to Donne’s works – mainly to his poetry – in his afterlife is emphasized, especially during the 20 th century. Keywords: John Donne, biography, poetry. Resumo: O presente artigo tem por objetivo apresentar dados relevantes acerca da vida do poeta inglês John Donne (1572-1631), bem como relacioná- los com sua obra. Apresenta-se então a obra do poeta desde as Sátiras, obra da juventude, até os Sermões, obra da maturidade artística, passando-se pela poesia lírico-amorosa e religiosa. Na análise de algumas obras, destacam-se os seus recursos estilísticos mais peculiares, como o “wit”. Por fim, ressalta- se a recepção que a obra – sobretudo poética – de Donne recebeu da posteri- dade, especialmente no século XX. Palavras-chave: John Donne, biografia, poesia. Introdução “Nenhum homem é uma ilha”, escreveu o poeta inglês John Donne. Muito embora essa seja uma citação bastante freqüente hoje em dia, poucos sabem da vida de seu autor, um poeta que, em muitos senti- dos, foi uma ilha. Donne nasceu em 1572 e morreu em 1631, tendo vivido, portanto, aproximadamente metade de sua vida no século XVI e metade no sé- culo XVII. É ponto comum da crítica literária assinalar a dificuldade em se classificar as tendências da poesia inglesa no período imediata- mente precedente e posterior ao início do século XVII. Havia, ao mes- mo tempo, o influxo de diferentes poetas realizando obras díspares em muitos aspectos. Assim, é de se notar que, quando Donne come- çou a escrever, por volta de 1593, grande parte da obra de Edmund