25/01/12 meio ambiente 1/23 zeeli.pro.br/old_site/Textos/ォ/%5b15%5dmeio_ambiente.htm CRESCIMENTO, AGRICULTURA E MEIO AMBIENTE José Eli da Veiga [1] zeeli@usp.br Anais do 25 o . Encontro Nacional de Economia, Recife, Dezembro de 1997, volume 2, pp. 900-939 Introdução Quando se compara o crescimento econômico dos últimos duzentos anos ao de milênios anteriores tende-se a pensar que a época pré-industrial foi marcada pela estagnação. Keynes, por exemplo, em seu brilhante ensaio de 1930 - As possibilidades econômicas de nossos netos - afirmou sem rodeios que “até o início do século XVIII, não houve uma mudança muito grande no padrão de vida do homem médio, do habitante dos centros civilizados da Terra. (...) Duas razões causaram esse ritmo lento de progresso, ou falta de progresso: a notável ausência de importantes melhoramentos técnicos e a deficiência da acumulação de capital.” (Keynes,1930:151) Como muitos outros grandes pensadores, Keynes notou enorme contraste entre a lentidão da mudança econômica anterior ao século XVIII e a progressão cumulativa iniciada por invenções científicas e técnicas, e definitivamente impulsionada por meio “do carvão, do vapor, da eletricidade, do petróleo e do aço, da borracha, do algodão e das indústrias químicas, das máquinas automáticas e dos métodos de produção de massa, do telégrafo e da imprensa, de Newton, Darwin e Einstein, e milhares de outras coisas, homens famosos e conhecidos demais para enumerar.” (Keynes,1930:153) Essa visão de completo contraste, que continua dominante no pensamento econômico, foi o principal objeto das pesquisas do Nobel de Economia de 1971, Simon Kuznets. Apesar dos aspectos quantitativos de seus trabalhos serem os mais conhecidos, Kuznets teve preocupação constante com as causas, com as flutuações e com a difusão do crescimento econômico. Basta lembrar que o mais importante de seus livros, publicado em 1966, tem o título Crescimento