XIII Encontro Estadual de História ANPUH-PR | 887 A Escrita da História, Universidade Estadual de Londrina 12 a 15 de Outubro de 2012 OS USOS DO FUTURO DO BRASIL EM ESTRATÉGIAS DE INTELECTUAIS – IBESP (1953-56) Bruno de Macedo Zorek História (UEPG) Palavras-chave: IBESP; tempo social; intelectuais brasileiros 1. Quer-se investigar aqui as ideias sobre o futuro, especialmente sobre o futuro do Brasil, discutidas e apresentadas pelo Instituto Brasileiro de Economia, Sociologia e Política (IBESP), através de sua revista Cadernos de Nosso Tempo. Este Instituto é o antecessor do mais ilustre e conhecido Instituto Superior de Estudos Brasileros (ISEB). Ambos possuíram em comum alguns membros, dos quais, em função dos objetivos deste artigo, vale destacar: Cândido Mendes de Almeida, Helio Jaguaribe, João Paulo de Almeida Magalhães, Alberto Guerreiro Ramos e Ignácio Rangel. O IBESP teve uma vida mais curta do que o ISEB. Existiu de 1953 a 1956, enquanto o outro foi fundado em 1955 e extinto em 1964. Além disso, como nota Cristina Buarque: No campo do pensamento social e político brasileiro, o Instituto [IBESP] permaneceu, contudo, à sombra do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), modelo mais acabado do seu projeto político original. Embora aquém da fórmula imaginada por Jaguaribe, o ISEB alcançou vinculação ao Estado, por meio do Ministério da Educação e Cultura, e destacou-se na cena política e editorial nacional. (2012, p. 137) O IBESP não teve nem a mesma vinculação, nem o mesmo destaque. O máximo que conseguiu foi, a partir de 1954, um apoio financeiro da recém-criada (1951) Campanha Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (atual CAPES). O financiamento foi possível graças a contatos pessoais de membros do IBESP com o então secretário-geral da Campanha, Anísio Teixeira (Oliveira: 2010). O Instituto e sua revista nasceram do esforço de um grupo de intelectuais interessados nos “grandes problemas de sua época”. A maior parte do grupo morava no Rio de Janeiro e uns poucos, em São Paulo. Entre as duas cidades, havia o Parque Nacional de Itatiaia, cuja administração, ligada ao Ministério da Agricultura, cedeu seu auditório para os encontros desses intelectuais. Mensalmente, a partir de agosto de