Volume 12 n. 136 Abril/2017 ISSN 1809-3957 Revista SODEBRAS Volume 12 N° 136 ABRIL/ 2017 OS LABORATÓRIOS DE APRENDIZAGEM EM JUIZ DE FORA: UM CASO OMNILÉTICO DE INCLUSÃO E EXCLUSÃO i THE LEARNING LABS IN JUIZ DE FORA: A CASE OMNILÉTICO OF INCLUSION AND EXCLUSION MÔNICA PEREIRA DOS SANTOS²; MYLENE CRISTINA SANTIAGO² 1 UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO; 1 UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE mylenesantiago87@gmail.com Resumo - Este artigo apresenta a proposta dos Laboratórios de Aprendizagem (LAs) do Município de Juiz de Fora, discutindo as culturas, políticas e práticas de inclusão e exclusão destes espaços, em uma perspectiva omnilética. Traçamos um histórico dos LAs de modo a apresentar sua origem e suas concepções e buscamos analisar os portfólios produzidos pelos professores. A pesquisa evidencia a importância da avaliação nas propostas educacionais e problematiza o papel dos LAs enquanto política e espaço onde o processo de inclusão e exclusão é coexistente. Palavras-chave: Laboratório de Aprendizagem. Inclusão e Exclusão. Educação Básica. Portfólio. Perspectiva Omnilética. Abstract The article presents the work of the learning Laboratories (Las) of the municipality of Juiz de Fora, in the state of Minas Gerais, Brazil, and discusses cultures, policies and practices of inclusion and exclusion in such spaces on an omnilectical conceptual base. We present the history of the LAs, their origins and conceptions, and analyse the portfolios produced by the teachers involved. The research shows the relevance of evaluation in the educational practices and problematizes the role of the LAs as a public policy and as a setting where inclusion and exclusion coexist. Keywords: Learning Laboratories. Inclusion and Exclusion. Basic Education. Portfolios. Omnilectical Perspective. I. INTRODUÇÃO Em uma perspectiva de inclusão em educação, compreendemos a educação como direito humano e por isso, defendemos que esse direito seja oferecido para todos e que todos possam compartilhar de situações que envolvam e promovam aprendizagem. Dessa forma, o grande desafio educacional com o qual nos deparamos hoje, diz respeito ao direito de aprender. Não basta garantir o acesso e a permanência dos estudantes na escola, mas oferecer situações que permitam aquisição de aprendizagens. Estar dentro da escola não significa estar incluído, o acesso é apenas uma das etapas desse complexo processo. Para muitos alunos, diferenças culturais, raciais, religiosas, físicas, de orientação sexual, de ritmos de aprendizagem, de condição socioeconômica, se traduzem em verdadeiros obstáculos para a participação e para a aprendizagem escolar. Desse modo, os Laboratórios de Aprendizagem (LAs), desenvolvidos nas escolas municipais de Juiz de Fora (MG) e suas relações com os processos de inclusão e exclusão em educação, serão objeto de nossa análise, que buscará identificar a proposta desses espaços de intervenção pedagógica e suas relações com os atores e a escola como um todo. Os LAs foram originados a partir das políticas de ciclo e implementados com princípios pautados na ideia de diversidade e superação das desigualdades, considerando as diferenças produzidas no contexto escolar. O LA é considerado um mecanismo de apoio à ação educativa, destinando-se a assegurar a progressão do aluno com barreiras à participação e à aprendizagem, buscando oferecer condições para uma investigação pormenorizada de seu processo de construção do conhecimento, oportunizando-lhe diferentes vivências para o atendimento de suas dificuldades (FREITAS, 1999). Em 2006, identificamos que o Departamento de Ações Pedagógicas da Secretaria de Educação de Juiz de Fora/MG (DEAP/SEJF) realizou um levantamento dos índices de repetência nas séries iniciais do ensino fundamental e do número de encaminhamentos de crianças que não aprendem para o atendimento especializado. Foi constatado que a maioria das escolas possuía professores recuperadores, laboratórios de aprendizagem, sala de recurso e/ou projetos diversos que visavam melhorar a aprendizagem dos alunos. A partir de então se instalou um questionamento, nesta Secretaria de Educação: Por que, apesar de recursos diferenciados, as crianças que frequentam nossas escolas continuam a não aprender? Ao assumir a hipótese de que os estudantes não aprendiam por questões relacionadas a estratégias pedagógicas e, simultaneamente, tendo conhecimento de iniciativas inovadoras e criativas nas escolas, que contemplavam a diversidade em seus currículos, o sistema educacional da Rede Municipal de Juiz de Fora, através do Departamento de Ações Pedagógicas (DEAP), percebeu que estava diante de uma contradição, cuja análise mais profunda levaria, inevitavelmente, a uma das duas possibilidades: a) que as estratégias pedagógicas realmente fazem a diferença quanto à aprendizagem, o que significaria dizer que as iniciativas talvez não estivessem sendo assim tão inovadoras ou funcionado conforme o previsto; ou b) que as estratégias pedagógicas fazem pouca diferença no que tange à aprendizagem, e neste sentido, as iniciativas, por mais inovadoras que fossem, não davam conta do problema do fraco desempenho sozinhas. Diante de qualquer das duas 118